Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

A taxa de desocupação no Brasil registrou alta no trimestre móvel encerrado em março, atingindo 6,1% da população economicamente ativa. O índice representa um aumento de 1,0 ponto percentual em comparação com o período de outubro a dezembro de 2025, quando havia ficado em 5,1%. Apesar da elevação, o dado mantém uma trajetória de melhora quando comparado ao mesmo período do ano anterior: em março de 2025, o desemprego era de 7%, ou seja, 0,9 ponto percentual superior ao atual.

Os números foram divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Em nota de destaque, o instituto ressaltou que, apesar da alta trimestral, a taxa de 6,1% constitui o menor índice de desocupação para um trimestre encerrado em março em toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Além disso, o indicador não superava a marca de 6,0% desde o trimestre encerrado em maio de 2025.

Com a alta da desocupação, o contingente de pessoas desocupadas no país chegou a 6,6 milhões, um aumento de 19,6% — ou 1,1 milhão de pessoas a mais em busca de trabalho — em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, contudo, o número de desempregados recuou 13%, representando uma redução de 987 mil pessoas.

Trabalho formal e massa de rendimento avançam

O total de trabalhadores ocupados no Brasil ficou em 102 milhões, com retração de 1% no trimestre — uma redução de 1,0 milhão de trabalhadores. Na comparação com março de 2025, porém, o contingente de ocupados permanece 1,5% acima, o que equivale a 1,5 milhão de pessoas a mais no mercado de trabalho.

A análise por setores revela que nenhum dos dez grupamentos de atividade pesquisados registrou aumento de ocupação no trimestre. Três setores, no entanto, concentraram as perdas: Comércio (-1,5%, ou 287 mil postos), Administração Pública (-2,3%, ou 439 mil postos) e Serviços Domésticos (-2,6%, ou 148 mil postos). Juntos, esses três segmentos eliminaram mais de 870 mil vagas de trabalho em três meses.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, a redução ocorreu em atividades que tipicamente apresentam esse comportamento nesta época do ano. “Seja devido à tendência de recuo no Comércio nesse período; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporários nas atividades de Educação e Saúde no setor público municipal”, explicou.

Apesar dos recuos trimestrais, a comparação anual mostra avanços em setores como Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (+3,2%, ou 406 mil pessoas) e Administração Pública (+4,8%, ou 860 mil pessoas). Somente os Serviços Domésticos registraram queda na comparação com março de 2025 (-3,6%, ou 202 mil pessoas).

Um dado positivo veio da taxa de informalidade, que recuou para 37,3% da população ocupada, equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores informais. O índice ficou abaixo dos 37,6% do trimestre anterior e dos 38,0% registrados em março de 2025. O número de empregados com carteira assinada no setor privado — excluindo trabalhadores domésticos — manteve-se em 39,2 milhões no trimestre, mas cresceu 1,3% no ano, com acréscimo de 504 mil vagas formais.

Rendimento médio real atinge R$ 3.722

A massa de rendimento médio real dos trabalhadores brasileiros bateu novo recorde no período, alcançando R$ 374,8 bilhões. O montante manteve-se estável no trimestre, mas registrou alta de 7,1% — ou R$ 24,8 bilhões a mais — na comparação anual.

Já o rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.722, também novo recorde, com crescimento de 1,6% no trimestre e de 5,5% no ano, já descontada a inflação. Os aumentos foram puxados por Comércio (+3,0%, ou R$ 86 a mais) e Administração Pública (+2,5%, ou R$ 127 a mais).

Para Beringuy, a alta do rendimento está ligada à redução da informalidade. “O rendimento cresceu em atividades que reduziram a participação em seus contingentes de trabalhadores informais ou de formais com menores rendimentos”, afirmou. “Dessa forma, relativamente à base de comparação trimestral com maior participação de ocupação informal, a média de rendimento do trabalho atual registrou alta.”

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