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A ameaça de endividamento insustentável que tradicionalmente afligia nações pobres agora paira sobre as economias mais ricas do mundo. EUA, Grã-Bretanha, França, Itália e Japão registram dívidas em níveis recordes ou próximos disso, colocando em risco o crescimento global e a estabilidade financeira.

Em seis das nações do G7, a dívida nacional já iguala ou supera a produção econômica anual, segundo o Fundo Monetário Internacional. Os EUA acumulam US$ 38 trilhões em dívida, equivalente a 125% do PIB, enquanto a dívida japonesa representa mais que o dobro de sua economia. Na Itália, o endividamento alcança 138% do PIB.

Internamente, isso significa que recursos que poderiam ser destinados a saúde, educação, infraestrutura e tecnologia são consumidos pelo pagamento de juros. Nos EUA, os pagamentos líquidos de juros triplicaram em cinco anos, atingindo cerca de US$ 1 trilhão, o que significa 15% dos gastos federais, a segunda maior despesa após a Previdência Social.

A situação se agravou após a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19, quando governos ampliaram gastos emergenciais. O problema é que os níveis de endividamento não diminuíram mesmo com a recuperação econômica, deixando os países com menos margem para reagir a futuras crises.

Pressões demográficas intensificam o quadro. Europa, Reino Unido e Japão enfrentam envelhecimento populacional, elevando gastos com saúde e aposentadorias enquanto reduzem a base tributária. A União Europeia necessita de US$ 900 bilhões adicionais para investir em inteligência artificial e infraestrutura tecnológica. No Reino Unido, são necessários pelo menos US$ 410 bilhões para modernizar a infraestrutura na próxima década.

Tentativas de controlar gastos provocam protestos, como na França e Itália. A França teve sua classificação de crédito rebaixada em meio a impasse político sobre o orçamento. No Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi prometeu suspender impostos sobre alimentos, medida estimada em US$ 30 bilhões anuais, gerando turbulência nos mercados.

A situação é agravada por tensões geopolíticas. Países aumentam gastos militares — a OTAN definiu meta de 5% do PIB para defesa — enquanto apoiam a Ucrânia com bilhões. Trump prometeu elevar gastos militares dos EUA para US$ 1,5 trilhão, adicionando US$ 5,8 trilhões à dívida em dez anos.

Especialistas alertam que a dívida crescente ameaça o papel dos EUA como líder econômico e aumenta o ônus para gerações futuras, reduzindo a capacidade de consumo e investimento futuros.

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