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O dólar fechou em R$ 4,997 nesta segunda-feira (13), abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde 27 de março de 2024, enquanto o Ibovespa encerrou em 198.000 pontos e renovou seu recorde histórico. O resultado consolida um movimento recente de valorização dos ativos brasileiros, impulsionado por fatores externos e pelo fluxo de capital estrangeiro.

O dia foi marcado por forte oscilação. Pela manhã, o dólar chegou a subir e atingiu cerca de R$ 5,039, refletindo a repercussão do fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana. O impasse elevou o nível de tensão no cenário internacional e levou investidores a buscar proteção, o que pressionou a moeda brasileira.

Ao longo da tarde, no entanto, o movimento se inverteu. O dólar passou a cair após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o Irã teria procurado o governo americano com intenção de negociar um acordo para encerrar o conflito. Mesmo sem confirmação oficial por parte de Teerã, a sinalização foi interpretada pelo mercado como um indicativo de possível trégua, reduzindo o nível de risco global.

Do risco ao alívio no mesmo dia

A mudança de direção ao longo do pregão mostra como o cenário internacional segue determinante para o comportamento do câmbio. O fracasso inicial das negociações elevou a percepção de risco, com temor de escalada militar e impacto sobre o preço do petróleo, que chegou a ultrapassar os US$ 100 por barril durante o dia.

Com a fala de Trump e a leitura de que ainda há espaço para negociação, parte desse risco foi reavaliada. O petróleo perdeu força ao longo da tarde e os mercados passaram a operar com mais apetite por ativos de risco, favorecendo moedas de países emergentes, como o real.

Fluxo estrangeiro sustenta o Brasil

Além do fator externo, o mercado brasileiro segue sendo sustentado por um fluxo consistente de capital estrangeiro. Investidores têm direcionado recursos para o país em busca de maior retorno, tanto na renda fixa quanto na Bolsa.

Esse movimento tem pressionado o dólar para baixo e ajudado o Ibovespa a renovar recordes. Nesta segunda-feira (13), o índice subiu 0,34% e chegou a 198.173 pontos na máxima do dia, consolidando a quarta sessão consecutiva de alta histórica.

A entrada de recursos também reflete a percepção de oportunidade nos ativos brasileiros, que ainda operam com preços considerados atrativos em comparação a outros mercados.

O que isso significa na prática

A queda do dólar abaixo de R$ 5 tem impacto direto no dia a dia. A valorização do real reduz o custo de produtos importados, viagens internacionais, compras em moeda estrangeira e serviços atrelados ao dólar.

Há também efeito indireto. Empresas que dependem de insumos importados passam a ter custos menores, o que pode ajudar a conter reajustes de preços em setores como combustíveis, alimentos e bens industriais. Ao mesmo tempo, o recorde da Bolsa indica maior entrada de dinheiro no país, o que pode ampliar investimentos e melhorar as condições de financiamento para empresas.

Por outro lado, exportadores podem sentir o efeito de um real mais valorizado, já que passam a receber menos em reais pelas vendas externas

Cenário ainda instável

Apesar do fechamento positivo, o dia deixou claro que o cenário segue sensível a eventos internacionais. A alta do dólar pela manhã e a reversão à tarde mostram que mudanças rápidas no contexto geopolítico continuam influenciando diretamente os mercados.

O resultado desta segunda-feira combina dois sinais: de um lado, o dólar no menor nível desde março de 2024 e a Bolsa em recorde apontam um momento de força dos ativos brasileiros. De outro, a dependência do país em relação ao cenário externo permanece evidente.

A continuidade desse movimento dependerá, principalmente, da evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã e das decisões econômicas das principais potências, que seguem determinando o ritmo do mercado global.

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