Duda
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A deputada federal Duda Salabert anunciou na terça-feira (1º) sua saída do PDT e o retorno ao PSOL, partido pelo qual iniciou sua trajetória política. A decisão foi comunicada também em suas redes sociais, onde afirmou que volta ao partido em um movimento de reconexão com sua base e com um projeto coletivo.

Eleita em 2022 com uma das maiores votações de Minas Gerais, Salabert se consolidou como uma das principais lideranças da esquerda no estado, com atuação nas áreas de educação, meio ambiente e direitos humanos.

A mudança ocorre em um momento de reorganização das forças progressistas em Minas e antecipa disputas que já começam a ser desenhadas para 2026. Ao deixar o PDT, a deputada encerra um ciclo iniciado em 2018, quando buscou ampliar sua inserção política em uma legenda com maior capilaridade eleitoral.

Um movimento que expõe fragilidades no PDT

Nos últimos anos, o PDT mineiro passou a enfrentar dificuldades de coesão interna, disputas regionais e indefinições sobre seu posicionamento político no estado. Esse cenário reduziu a capacidade do partido de sustentar quadros com perfil programático mais definido e abriu espaço para tensões que vinham se acumulando.

A saída de Salabert ocorre nesse contexto e evidencia um desgaste que vai além de uma decisão individual. Ao deixar a legenda, a deputada sinaliza limites de uma estratégia baseada em alianças amplas sem alinhamento político consistente, especialmente em um ambiente de maior polarização.

PSOL ganha peso e pressiona rearranjo da esquerda

Com o retorno, o PSOL recupera uma de suas principais lideranças em Minas Gerais e amplia sua presença no estado. Salabert traz densidade eleitoral e visibilidade nacional, o que tende a impactar a montagem de chapas e a definição de estratégias para as próximas eleições.

Esse movimento altera o equilíbrio dentro da esquerda mineira. O PSOL passa a ocupar um espaço mais competitivo, pressionando partidos como PT e PCdoB e abrindo um novo ciclo de negociações e disputas por protagonismo dentro do campo progressista.

Minas no centro e sinais para 2026

A troca de partido ocorre em um estado historicamente decisivo nas eleições nacionais, o que amplia o peso político da movimentação. Em Minas Gerais, mudanças desse tipo costumam ter efeitos que vão além das disputas proporcionais e influenciam diretamente a formação de alianças e candidaturas majoritárias.

Ao retornar ao PSOL, Salabert sinaliza uma escolha por maior coerência programática em um cenário de polarização crescente. O movimento indica uma tendência de reorganização dentro da esquerda, com parte das lideranças buscando maior definição ideológica como forma de fortalecer sua atuação política e disputar espaço em um ambiente cada vez mais competitivo.

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