
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (17) que a situação fiscal continuará sendo um dos principais desafios do Brasil nos próximos anos e que um eventual novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de manter o esforço para equilibrar as contas públicas. Durante a 27ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo, ele rejeitou críticas de que a atual gestão estaria gastando demais e disse que “não é verdade” que o governo tenha ampliado despesas de forma irresponsável.
Durigan destacou que estabilizar a dívida pública e melhorar o resultado fiscal são condições essenciais para reduzir o custo do crédito, hoje pressionado pelos juros elevados pagos pelo Tesouro, empresas e famílias. Segundo ele, a trajetória fiscal é um dos fatores sobre os quais o governo tem maior capacidade de atuação para influenciar as taxas de juros.
O ministro citou o bloqueio de R$ 17,4 bilhões no Orçamento e mudanças recentes aprovadas no Congresso que devem reduzir em cerca de R$ 10 bilhões a pressão das despesas obrigatórias sobre o Orçamento de 2027. As medidas, incluídas no PLP 114/2026, limitam o crescimento de gastos vinculados em cenários de déficit primário e alteram a base de cálculo de despesas atreladas à Receita Corrente Líquida.
Durigan afirmou que o governo evitou transformar medidas emergenciais em despesas permanentes e que parte dos subsídios e linhas de crédito adotados em crises recentes será devolvida aos cofres públicos. Ainda assim, reconheceu que o quadro fiscal exige novas correções.
Os dados mais recentes mostram que o desafio permanece: em junho, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 48,2 bilhões, enquanto a dívida bruta chegou a 81,9% do PIB. Projeções do Prisma Fiscal também apontam dificuldades para estabilizar a dívida nos próximos anos.
Durigan defendeu que o país adote a mesma “intolerância” com a irresponsabilidade fiscal que passou a ter com a inflação alta e afirmou que o ajuste precisa continuar. Ele também citou a reforma do Estado como prioridade, ao lado da transformação ecológica e da consolidação fiscal, defendendo um governo mais eficiente e menos burocrático, sem reduzir funções essenciais.