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Reprodução/Internet

O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) admitiu nesta terça-feira (19) que manteve encontro presencial com o banqueiro Daniel Vorcaro mesmo depois da primeira prisão do empresário no âmbito das investigações sobre o colapso do Banco Master. A revelação foi repercutida por veículos de imprensa de todo o país, aprofundando a crise política que já atinge o núcleo bolsonarista após as reportagens do Intercept Brasil sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo Flávio Bolsonaro, a reunião teve como objetivo “colocar um ponto final” nas discussões sobre o longa-metragem e ocorreu em um contexto exclusivamente privado. O senador afirmou que não houve intermediação de interesses públicos nem favorecimento institucional ao banqueiro. “Eu fui lá para colocar um ponto final nessa questão do filme”, declarou Flávio.

A admissão, porém, produziu novo desgaste político porque integrantes do entorno bolsonarista vinham tentando minimizar publicamente o grau de proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro desde o início das revelações envolvendo o Banco Master.

Encontro ocorreu quando Vorcaro já era alvo central da PF

Segundo o Correio Braziliense, Flávio confirmou que a reunião aconteceu após a primeira prisão de Vorcaro pela Polícia Federal, em uma fase em que o banqueiro já enfrentava acusações relacionadas a fraudes financeiras, manipulação contábil, ocultação patrimonial e supostos esquemas ilegais ligados ao Banco Master.

Nos últimos dias, aliados do senador vinham sustentando que a relação entre os dois teria sido limitada ao contexto da captação privada para o filme sobre Jair Bolsonaro. Em nota divulgada anteriormente, Flávio chegou a afirmar que conheceu Vorcaro apenas em dezembro de 2024 e que, naquele momento, ainda não existiriam “suspeitas públicas” sobre o banqueiro.

Agora, ao admitir a continuidade do contato mesmo após a prisão do empresário, o senador ampliou contradições já apontadas por adversários políticos e investigadores.

O UOL informou que Flávio Bolsonaro argumentou ter procurado Vorcaro justamente para encerrar qualquer vínculo restante relacionado ao projeto cinematográfico após o agravamento das investigações.

Ainda assim, a revelação provocou reação negativa inclusive dentro da direita. Parlamentares e empresários conservadores passaram a avaliar reservadamente que a insistência em manter contato com Vorcaro após o avanço das investigações ampliou o desgaste político do senador.

Filme de Bolsonaoro, “Dark Horse”, se tornou centro da crise

O caso ganhou dimensão nacional após o Intercept revelar contratos, mensagens, gravações e documentos ligados ao financiamento do filme “Dark Horse”, tratado internamente como peça estratégica de reconstrução internacional da imagem de Jair Bolsonaro e da reorganização eleitoral do bolsonarismo para 2026.

Segundo as investigações divulgadas pelo veículo, o longa possuía orçamento estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões, algo próximo de R$ 140 milhões na cotação atual. Parte significativa dos recursos teria sido negociada diretamente entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

A produção era conduzida pela GoUp Entertainment e tinha participação formal de Eduardo Bolsonaro e Mario Frias como produtores-executivos.

Nos últimos dias, novos áudios divulgados pelo Intercept mostraram Mario Frias tratando Vorcaro como “meu irmão”, agradecendo apoio financeiro ao projeto e classificando o filme como “o grande milagre” para 2026.

As mensagens também indicam que o longa vinha sendo tratado dentro do núcleo bolsonarista como ferramenta política internacional voltada à reconstrução da narrativa pública de Jair Bolsonaro.

Recursos nos EUA e investigação sobre fundos ampliam pressão

As investigações também passaram a analisar a movimentação internacional dos recursos relacionados ao filme. Documentos obtidos pelo Intercept apontam que parte dos valores negociados com Vorcaro teria sido direcionada para estruturas financeiras sediadas nos Estados Unidos, incluindo fundos ligados ao advogado de imigração Paulo Calixto.

Segundo os contratos revelados, investidores poderiam adquirir cotas de US$ 500 mil e, em aportes superiores a US$ 1 milhão, receber benefícios relacionados à imigração americana. O caso passou a levantar suspeitas sobre eventual mistura entre interesses políticos, estruturas privadas internacionais e captação financeira ligada ao bolsonarismo.

Ao mesmo tempo, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal ampliaram frentes de investigação envolvendo o fluxo financeiro do projeto e possíveis conexões com emendas parlamentares.

O ministro Flávio Dino já determinou abertura de apuração preliminar relacionada a recursos destinados ao Instituto Conhecer Brasil.

Crise já produz efeitos políticos na direita

A sucessão de revelações começou a afetar diretamente o cenário político da direita para 2026. Segundo bastidores divulgados por CNN Brasil, empresários e lideranças conservadoras passaram a monitorar o impacto eleitoral do caso sobre uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

O ex-governador Romeu Zema (Novo) afirmou publicamente que a relação entre Flávio e Vorcaro é “imperdoável” e classificou o episódio como “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.

Nos bastidores, nomes como Zema, Ronaldo Caiado (PSD) e até Michelle Bolsonaro passaram a ser citados como alternativas dentro do campo conservador caso o desgaste político do senador continue se aprofundando.

Enquanto isso, a admissão do encontro com Vorcaro após a prisão do banqueiro passou a ser interpretada por adversários políticos como mais um elemento que dificulta a estratégia do bolsonarismo de tratar o caso apenas como uma relação privada ligada a um projeto cinematográfico.

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