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Reprodução/Redes Sociais/@FlavioBolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) intensificou nesta quarta-feira (27) sua ofensiva política nos Estados Unidos ao se reunir em Washington com duas das principais figuras do governo Donald Trump: o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. A movimentação ocorre no momento mais delicado da pré-campanha presidencial do senador desde o surgimento do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”.

A agenda foi interpretada em Brasília como uma tentativa clara de internacionalizar a crise enfrentada pelo bolsonarismo e reforçar a aproximação da família Bolsonaro com o núcleo político e ideológico que voltou ao poder nos Estados Unidos após a eleição de Trump em 2024. Nos bastidores do PL, interlocutores afirmam que a estratégia busca reposicionar Flávio como principal elo entre a direita brasileira e o trumpismo americano justamente quando o senador enfrenta desgaste crescente nas pesquisas e avanço de investigações no Brasil.

Nos encontros realizados na capital americana, Flávio Bolsonaro discutiu temas ligados a relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, liberdade de expressão, atuação de plataformas digitais e críticas às decisões do Supremo Tribunal Federal brasileiro. Parlamentares republicanos ligados à ala mais conservadora do partido participaram das conversas, além de assessores próximos ao vice-presidente J.D. Vance, hoje considerado um dos nomes mais influentes da nova direita americana.

Aproximação com trumpismo se tornou eixo central do bolsonarismo

A viagem consolida um movimento iniciado ainda durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e aprofundado desde que Donald Trump retornou à Casa Branca. Nos últimos meses, aliados da família Bolsonaro passaram a circular com frequência em Washington, ampliando laços com think tanks conservadores, parlamentares republicanos e organizações que defendem pautas nacionalistas, anti-imigração e contra regulações sobre redes sociais.

O próprio Eduardo Bolsonaro, que atualmente vive nos Estados Unidos, passou a atuar como articulador informal desse eixo político internacional. Desde fevereiro de 2025, o ex-deputado intensificou reuniões com influenciadores conservadores americanos, grupos ligados ao trumpismo e parlamentares republicanos que passaram a fazer críticas públicas ao ministro Alexandre de Moraes e ao STF brasileiro.

A presença crescente do bolsonarismo no ambiente político americano passou a gerar preocupação dentro do governo Lula e do Judiciário brasileiro. Ministros do STF avaliam reservadamente que parte da estratégia da família Bolsonaro consiste em transformar investigações internas em uma narrativa internacional de “perseguição política”, buscando apoio da direita global para pressionar instituições brasileiras.

Caso “Dark Horse” mudou cenário político do bolsonarismo

A agenda internacional ocorre poucos dias após Alexandre de Moraes pedir que a Procuradoria-Geral da República avalie incluir Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro na investigação sobre o caso “Dark Horse”. O inquérito apura se recursos destinados ao filme inspirado na trajetória do ex-presidente foram utilizados para financiar ações políticas internacionais ligadas ao núcleo bolsonarista.

As suspeitas cresceram após o vazamento de áudios nos quais Flávio Bolsonaro aparece cobrando Daniel Vorcaro sobre aportes milionários para o projeto cinematográfico. Segundo documentos já analisados pela Polícia Federal, o filme previa investimentos de até R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente liberados antes da prisão do banqueiro na Operação Compliance Zero.

A investigação também passou a analisar possíveis conexões entre recursos do Banco Master, lobby internacional e movimentações financeiras relacionadas às atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Nos bastidores da PF, investigadores avaliam que o caso pode abrir uma nova frente de apuração sobre financiamento político internacional e circulação de recursos privados ligados ao bolsonarismo no exterior.

Viagem ocorre sob pressão eleitoral crescente

O avanço da crise já começou a produzir efeitos políticos concretos. Pesquisas divulgadas nos últimos dias apontaram crescimento da rejeição a Flávio Bolsonaro e perda de força do senador em cenários eleitorais para 2026. Aliados do PL admitem reservadamente preocupação com o impacto do caso Vorcaro sobre a imagem pública do senador, principalmente entre setores conservadores moderados e parte do empresariado.

Ainda assim, o núcleo bolsonarista aposta que a aproximação com Trump, J.D. Vance e Marco Rubio pode fortalecer a narrativa de resistência política e reconstruir parte do capital simbólico perdido nas últimas semanas. A avaliação interna é de que a imagem de Flávio ao lado de figuras centrais da direita americana ajuda a reforçar a conexão ideológica entre o bolsonarismo e o novo governo republicano nos Estados Unidos.

Enquanto isso, integrantes do governo Lula avaliam que a ofensiva internacional da família Bolsonaro amplia a tensão diplomática e aprofunda a tentativa de deslocar disputas judiciais brasileiras para o campo da política internacional conservadora.

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