
O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) manteve por quase um ano em seu gabinete no Senado o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Celso Leonardo Barbosa, demitido do banco público após acusações de assédio sexual e posteriormente investigado em processos envolvendo falsidade ideológica. A informação foi revelada nesta segunda-feira (25) pela Folha de S.Paulo.
Segundo a reportagem, Celso Leonardo ocupava cargo de assessor parlamentar no gabinete de Flávio Bolsonaro desde junho de 2025 e recebia salário mensal de R$ 20,7 mil. O ex-dirigente da Caixa só foi exonerado após a Folha questionar o senador sobre a presença dele na equipe.
Em nota enviada ao jornal, Flávio afirmou que as informações reveladas seriam “extremamente graves” e incompatíveis com a conduta exigida de integrantes do gabinete. O senador alegou ainda que Celso Leonardo teria omitido “pendências judiciais relevantes” e violado normas internas do Senado ao exercer atividades particulares durante o expediente parlamentar.
Ex-dirigente caiu junto com Pedro Guimarães após denúncias
Celso Leonardo era considerado homem de confiança de Pedro Guimarães, um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) dentro da Caixa durante o governo Bolsonaro.
Ele ocupou a vice-presidência de Negócios de Atacado da instituição financeira entre 2019 e 2022 e deixou o cargo poucos dias após a saída de Pedro Guimarães, que pediu demissão em junho de 2022 após denúncias de assédio sexual feitas por funcionárias da Caixa.
Segundo a Folha, Celso Leonardo também foi acusado de assédio sexual por uma funcionária durante uma viagem institucional da Caixa a Goiás. A reportagem afirma que ele chegou a firmar acordo de não persecução penal com a Justiça, assumindo culpa no caso e aceitando prestação de serviços comunitários.
Além disso, o ex-dirigente também foi citado em reportagem do Fantástico, da TV Globo, em 2022, na qual uma servidora o acusava de acobertar abusos atribuídos a Pedro Guimarães dentro da instituição.
Assessor acumulava atividades privadas enquanto recebia salário no Senado
A reportagem da Folha também aponta que Celso Leonardo mantinha intensa agenda de palestras, cursos e atividades privadas enquanto ocupava cargo no gabinete de Flávio Bolsonaro.
Segundo o jornal, ele participava de eventos empresariais, aulas e conferências em diferentes estados durante dias úteis e horários de expediente parlamentar. Entre os exemplos citados estão cursos no Senac de Mato Grosso do Sul, conferências no Rio de Janeiro e palestras em São Paulo sobre inteligência artificial e gestão empresarial.
Nas redes sociais e em seu site pessoal, Celso Leonardo se apresentava como “professor, palestrante, mentor, autor, investidor anjo e especialista em gestão, estratégia, inovação, IA e empreendedorismo”, sem mencionar o cargo no gabinete do senador nem sua passagem pela Caixa.
Ele também atuava como professor convidado eventual da Fundação Dom Cabral, instituição que informou estar reavaliando futuras participações do ex-dirigente após a divulgação do caso.
Caso amplia desgaste da pré-campanha de Flávio
A revelação ocorre em um momento de forte desgaste político para Flávio Bolsonaro, que tenta consolidar sua pré-candidatura presidencial pelo PL enquanto enfrenta repercussões do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o filme “Dark Horse”.
Nas últimas semanas, o senador passou a enfrentar queda nas pesquisas e pressão interna dentro do campo bolsonarista após sucessivas revelações sobre negociações financeiras ligadas ao projeto cinematográfico inspirado em Jair Bolsonaro.
Agora, a presença de um ex-dirigente acusado de assédio sexual e investigado judicialmente dentro do gabinete do senador amplia o desgaste político da campanha e adiciona novos questionamentos sobre os critérios de composição de sua equipe.
O episódio também reabre discussões sobre a permanência de aliados do governo Bolsonaro em cargos públicos mesmo após denúncias de assédio, abuso de poder e irregularidades administrativas reveladas nos últimos anos.