dino
Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou nesta quarta-feira (20) que a Câmara dos Deputados apresente, em até 48 horas, informações detalhadas sobre a viagem internacional do deputado federal Mario Frias (PL-SP) ao exterior. A decisão ocorre em meio às dificuldades da Justiça para localizar o parlamentar, alvo de apurações relacionadas ao repasse de emendas parlamentares a organizações investigadas no caso envolvendo o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ofício enviado por Dino ao presidente da Câmara, Hugo Motta, solicita informações sobre duração da viagem, custos, pagamentos, autorização oficial e eventual uso de recursos públicos relacionados à missão internacional informada por Frias. Segundo a Câmara, o deputado apresentou pedidos para viagens ao Bahrein, entre 12 e 18 de maio, e para Dallas, no Texas, entre 19 e 21 de maio. A Casa informou, porém, que nenhuma das viagens foi oficialmente autorizada.

A movimentação ocorre após oficiais de Justiça tentarem intimar Frias ao menos quatro vezes sem sucesso. De acordo com informações encaminhadas ao STF, o endereço cadastrado pelo parlamentar na Câmara não seria mais utilizado há cerca de dois anos. O gabinete do deputado informou que ele estava em missão internacional e que não havia previsão oficial de retorno ao Brasil.

Caso “Dark Horse” pressiona entorno político de Bolsonaro

A cobrança de Dino acontece em meio ao avanço das investigações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro que passou a ser alvo de apurações após reportagens revelarem relações financeiras entre aliados do ex-presidente e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Na semana passada, reportagens do The Intercept Brasil divulgaram áudios em que o senador Flávio Bolsonaro aparece cobrando pagamentos ligados à produção da cinebiografia. Segundo as reportagens, Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões para viabilizar o projeto audiovisual. Flávio admitiu ter buscado apoio financeiro para o filme, mas negou irregularidades.

O caso passou a gerar desgaste político para o entorno bolsonarista. Reportagem da Folha de S.Paulo informou que a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro trocou integrantes da equipe de comunicação após avaliações internas apontarem impacto negativo do episódio sobre sua imagem pública. Monitoramentos internos do PL identificaram queda em indicadores de intenção de voto e crescimento da repercussão negativa nas redes sociais.

Para Dino, viagem aos EUA amplia tensão política

A ida de Mario Frias aos Estados Unidos também ganhou repercussão por ocorrer em meio à presença de aliados bolsonaristas no exterior, especialmente próximos ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que permanece nos EUA desde o agravamento da crise política envolvendo investigações no Brasil.

Segundo a Câmara, Frias alegou participação em agendas internacionais organizadas pelo grupo “Yes Brazil USA”. A viagem ao Bahrein teria sido organizada com apoio da embaixada do país do Oriente Médio para tratar de relações bilaterais entre Brasil e Bahrein.

Em entrevista ao SBT, Mario Frias afirmou que retornará ao Brasil e disse estar “à disposição da Justiça”. O deputado negou tentativa de evasão ou descumprimento de decisões judiciais.

Nos bastidores de Brasília, aliados do governo avaliam que a decisão de Flávio Dino amplia a pressão institucional sobre parlamentares ligados ao núcleo bolsonarista justamente em um momento de desgaste político provocado pelo caso “Dark Horse” e pelas investigações relacionadas ao Banco Master. Integrantes da oposição, por outro lado, acusam o STF de ampliar o cerco político contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, enquanto investigações paralelas envolvendo repasses financeiros, emendas parlamentares e financiamento da produção audiovisual continuam sendo conduzidas por órgãos de controle e autoridades policiais.

Veja também