
O Google anunciou recentemente a maior transformação em sua ferramenta de buscas em 25 anos, uma mudança estratégica para manter sua dominância publicitária diante da crescente ameaça da Meta. A companhia está substituindo o tradicional modelo de palavras-chave por uma caixa de busca inteligente movida por inteligência artificial, capaz de responder perguntas complexas com respostas únicas e, no meio delas, exibir anúncios.
A nova ferramenta permite pesquisas simultâneas por múltiplos itens. Quem busca informações para uma reforma em casa, por exemplo, receberá prévias de produtos recomendados diretamente na resposta da IA. “Os melhores anúncios devem ser respostas”, afirmou Vidhya Srinivasan, vice-presidente de anúncios do Google, garantindo que as práticas de SEO continuam valendo para quem deseja aparecer nos resultados.
A pressão é real. Projeções da consultoria eMarketer indicam que, pela primeira vez em décadas, a Meta deve superar o Google em receita publicitária global até o final de 2026, com US$ 243,5 bilhões contra US$ 239,5 bilhões. A resposta do Google vai além da busca: a empresa está expandindo seu ecossistema de IA para anúncios, comércio e criação de conteúdo.
Nos bastidores, o Google Omni, que gera fotos e vídeos a partir de prompts de texto, será usado para criar variações de anúncios com IA. Agentes inteligentes também auxiliarão na otimização de campanhas e na mensuração de resultados. No YouTube Shorts, criadores poderão usar a ferramenta para fazer remixes de vídeos, alterando estilos e cenários. O YouTube Create App ganhará integração com o Omni para simplificar a edição em formato de conversa natural. Todo conteúdo gerado por IA será marcado com a identificação digital SynthID.
O Google também criou o Protocolo de Comércio Universal (UCP), uma linguagem comum que permite que agentes de IA façam compras em nome dos consumidores. O alcance do protocolo será expandido para reservas de hotéis e entrega de comida, além de ser integrado ao YouTube nos Estados Unidos. A base desse comércio agêntico será o Universal Cart, um carrinho de compras inteligente que mantém os itens selecionados em um só lugar, mesmo quando o usuário alterna entre celular e notebook.
No YouTube, a plataforma introduzirá “atalhos para o checkout” para encurtar a jornada do consumidor, permitindo que criadores vendam produtos com mais facilidade. O Google Ads também passará a sugerir parcerias entre marcas e influenciadores que já mencionam seus produtos.
Grandes grupos de mídia, como o New York Times, já fecharam acordos estratégicos com big techs para licenciar conteúdo, mas criadores de pequeno e médio porte devem sofrer com a nova lógica de descoberta.