
A gestão do Rioprevidência durante o governo Cláudio Castro, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, aplicou cerca de R$ 1 bilhão no Banco Master mesmo após sinais públicos de deterioração da instituição. A informação foi revelada pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, nesta terça-feira (18) e confirmada por auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
Segundo o tribunal, aproximadamente R$ 960 milhões — cerca de 8% do patrimônio do fundo — estavam concentrados em letras financeiras do Master, títulos sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Técnicos classificaram a exposição como “concentração crítica” e apontaram que os aportes continuaram mesmo após advertências formais.
A conselheira Mariana Montebello Willeman afirmou que o Rioprevidência assumiu risco elevado “num ambiente que recomendava máxima cautela”, ressaltando que o Master oferecia taxas incompatíveis com a prática de mercado e apresentava sinais consistentes de incapacidade de honrar compromissos.
Intervenção do Banco Central e prisão do presidente do Master
Nesta terça-feira (18), o Banco Central decretou intervenção por 120 dias e determinou a liquidação do grupo Master. Daniel Vorcaro, presidente da instituição, foi preso pela Polícia Federal.
O deputado estadual Luiz Paulo (PSD-RJ), autor da denúncia sobre as aplicações do Rioprevidência, afirmou que os recursos dos servidores podem sofrer perdas significativas: “O dinheiro do Rioprevidência pode agora virar pó”.
Rioprevidência defendeu operação e citou regularidade
Em nota divulgada em outubro, o Rioprevidência sustentou que o Banco Master era autorizado pelo Banco Central, CVM e Ministério da Previdência a emitir ativos para Regimes Próprios de Previdência Social e que possuía rating “A-” da Fitch no período das aplicações. A autarquia afirmou ainda que não realizou novas alocações após a primeira notificação do TCE em 2024.
Aliados de Bolsonaro atuaram para frear CPI do Master
O caso envolvendo o governo Castro se soma a movimentações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro para conter investigações sobre o mesmo banco. Em abril, reportagem publicada na coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, revelou que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil, atuou nos bastidores para barrar a instalação da CPI do Banco Master no Senado, mesmo após o requerimento atingir o número mínimo de assinaturas.
Senadores ouvidos reservadamente afirmaram que Ciro tentou convencer colegas a retirar apoio à comissão, que pretende investigar os balanços do banco, relatórios de supervisão e a compra de participação pelo BRB, operação sob análise do Ministério Público.
Essa não foi a primeira articulação do senador em defesa do Master. Em 2023, Nogueira tentou aprovar a chamada “emenda Master”, ampliando a cobertura do FGC para operações do banco. A proposta foi rejeitada pelo relator.
Procurado, o senador disse ser “leviano” afirmar que atua contra a CPI.
CPI deve avançar no Senado
Até o fim de abril, a CPI já reunia assinaturas de parlamentares de PL, Novo, PSD, MDB, PT, Podemos, Republicanos e União Brasil. O colegiado pretende investigar a situação financeira do banco, operações com recursos públicos, incluindo o Rioprevidência, e a política de captação baseada em CDBs acima de 140% do CDI, prática considerada insustentável no longo prazo.