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Um imposto mínimo de 2% sobre patrimônios superiores a US$ 100 milhões poderia gerar arrecadação anual de US$ 6,1 bilhões, cerca de R$ 30,5 bilhões, no Brasil. A estimativa consta de estudo encomendado pelo Ministério da Fazenda ao International Tax Observatory, coordenado pelo economista Gabriel Zucman, e incidiria sobre uma parcela restrita da população: aproximadamente 0,001% dos brasileiros, composta por cerca de 1.360 centimilionários e 70 bilionários.

O levantamento aponta uma distorção no sistema tributário brasileiro: os mais ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que a média da população. Enquanto a alíquota efetiva média é de 42,5%, o 1% mais rico recolhe cerca de 30% — e esse percentual diminui à medida que se avança para o topo da pirâmide. A medida proposta elevaria a alíquota efetiva desse grupo para aproximadamente 50%.

Segundo o estudo, essa distorção ocorre porque a riqueza dos mais ricos está concentrada em empresas, holdings e participações societárias. Ganhos não realizados — como a valorização de ações que não foram vendidas — permanecem em grande parte fora do alcance do sistema tributário atual. Por isso, os pesquisadores argumentam que a tributação sobre patrimônio seria mais eficaz na redução das desigualdades do que o aumento do Imposto de Renda Pessoa Física, que incide sobre fluxos de renda, não sobre ativos acumulados.

Simulações com alíquotas diferentes mostram a amplitude da medida: com 1%, a arrecadação chegaria a US$ 2,78 bilhões anuais; em um cenário mais robusto, poderia alcançar US$ 9,42 bilhões. Na América Latina, a adoção conjunta por Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai resultaria em receita de US$ 24 bilhões por ano.

Os dados do estudo também reforçam o grau de concentração de renda e riqueza no país. O 1% mais rico detém 27% da renda nacional e 47% da riqueza total. Na outra ponta, metade da população responde por menos de 10% da renda do país.

O tema ganhou projeção internacional durante a presidência brasileira do G20, em 2024, quando foi incorporado às discussões da trilha de finanças do bloco, também com base em estudos de Zucman.

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