Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou em campo para ajudar a reduzir a tensão política na Colômbia após a crise desencadeada pela eleição presidencial. Em conversa telefônica realizada na quinta-feira (9), o presidente colombiano, Gustavo Petro, assegurou ao líder brasileiro que deixará o cargo em 6 de agosto e conduzirá uma “transição pacífica”, apesar das controvérsias surgidas após o pleito.

A crise teve início quando o presidente eleito, Abelardo de la Espriella, acusou Petro de comprometer o processo de transição depois que o atual mandatário levantou suspeitas de fraude eleitoral e questionou o resultado da votação. Observadores internacionais, entretanto, atestaram a lisura das eleições.

Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que Petro reafirmou seu compromisso com a democracia e agradeceu pela parceria construída ao longo dos últimos três anos e meio. O presidente brasileiro também destacou a cooperação entre os dois países em temas como integração regional, preservação da Amazônia e combate ao narcotráfico e ao crime organizado, ressaltando que Brasil e Colômbia têm uma agenda estratégica comum.

A disputa presidencial colombiana foi decidida por margem estreita. De la Espriella venceu com 49,66% dos votos, contra 48,70% do senador Iván Cepeda, aliado de Petro, cenário que alimentou as contestações do presidente, baseadas em supostas irregularidades nos boletins eleitorais.

O episódio remete ao recente impasse vivido no Peru, onde o então candidato de esquerda Roberto Sánchez também alegou fraude sem apresentar provas. Após recorrer a instâncias internacionais, ele reconheceu a derrota para Keiko Fujimori, permitindo o encerramento da crise política e a continuidade da transição democrática.

Veja também