Reprodução/TV Record

Em entrevista exclusiva à Record, Luiz Inácio Lula da Silva percorreu uma agenda que mistura defesa de seu governo, questões familiares, relações internacionais e preparação para a eleição de 2026. O presidente falou sobre as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o relacionamento com Donald Trump, segurança pública, economia e educação, além de antecipar temas que pretende levar ao Congresso e prioridades caso conquiste um novo mandato.

Ao comentar as investigações sobre Lulinha e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio, Lula afirmou que trata os casos com “carinho e muita seriedade”, mas rejeitou a ideia de interferir no trabalho das instituições. Disse que não cabe ao presidente agir como juiz, procurador ou delegado e reforçou que ninguém está acima da lei, inclusive seu próprio filho. A orientação, segundo ele, é que os envolvidos se defendam e recorram à Justiça diante de acusações que considerem injustas.

No cenário internacional, Lula relatou a conversa de cerca de uma hora e 20 minutos com Donald Trump. Segundo o presidente, o diálogo foi respeitoso, mas houve discordância em relação às justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para tarifas e sanções aplicadas ao Brasil. Lula afirmou que o país não aceitará interferências em assuntos relacionados à soberania nacional.

O presidente também disse ter apresentado a Trump propostas de cooperação no combate ao crime organizado e na exploração de terras raras e minerais críticos. A intenção, segundo Lula, é fazer o Brasil avançar da exportação de matérias-primas para a produção de itens de maior valor agregado, como chips, semicondutores e equipamentos elétricos.

Na segurança pública, Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança e a criação de uma estrutura federal para coordenar ações entre União, estados e municípios. O presidente afirmou que o bloqueio do dinheiro das organizações criminosas deve estar no centro da estratégia e citou valores apreendidos durante seu governo. A prevenção, para ele, passa também pela educação, com o programa Pé-de-Meia como instrumento de permanência dos jovens na escola.

O feminicídio apareceu como outra prioridade. Lula defendeu a expansão das Casas da Mulher e o uso de tecnologias para alertar vítimas quando agressores descumprirem medidas protetivas. Também associou a violência doméstica a uma cultura histórica de posse sobre as mulheres e defendeu ações educativas.

Na economia, o presidente voltou a criticar os juros elevados e as regras de autonomia do Banco Central. Reconheceu, entretanto, que existe uma diferença entre os indicadores oficiais e a percepção da população sobre a situação econômica. Para explicar o fenômeno, citou mudanças nos hábitos de consumo e o aumento das compras pela internet, além do uso de cartão e Pix.

Lula defendeu educação financeira para ajudar as famílias a controlar despesas e anunciou a intenção de criar um programa federal de Educação de Economia Popular. Também destacou a queda do desemprego e da inflação e comparou os resultados de sua administração com os do governo anterior.

Entre as prioridades no Congresso, citou a mudança da escala 6×1, a PEC da Segurança, a regulamentação de minerais críticos e alterações na tributação de compras internacionais de pequeno valor.

No contexto eleitoral, Lula criticou o que considera um empobrecimento do debate político e a transformação das redes sociais em palco permanente de “lacração”. Disse sentir falta de adversários de outras gerações e citou José Serra, Geraldo Alckmin, Ulysses Guimarães, Leonel Brizola e Mário Covas.

Para um eventual novo mandato, apontou a educação como prioridade, com a universalização do ensino em tempo integral. Também defendeu um programa específico para a população idosa, combinando atendimento de saúde, acompanhamento médico e atividades físicas, culturais e de lazer.

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