Lula
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil e Evaristo Sá/AFP

A pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (14) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente em todos os cenários testados para as eleições de 2026, tanto no primeiro quanto no segundo turno, mantendo vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas sem configurar um quadro consolidado.

Na simulação de segundo turno mais direta, Lula registra cerca de 44,9% a 45% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro oscila entre 40% e 40,2%, a depender da forma de arredondamento apresentada pelos diferentes veículos que divulgaram o levantamento. A distância de aproximadamente cinco pontos percentuais coloca o presidente em posição de liderança, mas dentro de um intervalo que, à luz da margem de erro de dois pontos percentuais, mantém a disputa em aberto. Brancos, nulos e indecisos somam cerca de 15%, um contingente que, neste estágio do processo eleitoral, tem peso suficiente para alterar o cenário.

Vantagem de Lula no 2º turno, mas sem definição

A diferença numérica a favor de Lula, embora consistente, não indica uma eleição resolvida. A proximidade dos percentuais e a margem de erro mantêm a possibilidade de empate técnico em determinados recortes, o que reforça o caráter competitivo da disputa. A presença de um volume expressivo de eleitores que ainda não escolheram candidato ou optam por não votar em nenhum dos nomes testados amplia o grau de incerteza e mostra que o cenário ainda está em formação.

Esse quadro também ajuda a explicar por que diferentes levantamentos recentes apresentam oscilações. Embora a CNT/MDA aponte vantagem de Lula em todos os cenários de segundo turno, outros institutos têm registrado variações mais apertadas, indicando que o eleitorado ainda não consolidou uma posição definitiva.

1º turno e fragmentação da direita

Os dados do primeiro turno ajudam a explicar esse equilíbrio. Lula lidera todas as simulações testadas, mas não atinge maioria absoluta dos votos válidos, o que projeta a necessidade de segundo turno e reforça a persistência de uma disputa polarizada. O levantamento indica que, mesmo com vantagem, o presidente não amplia significativamente sua base a ponto de liquidar a eleição na primeira etapa, enquanto nomes do campo oposicionista mantêm patamares competitivos.

As diferentes leituras publicadas por veículos como Poder360, InfoMoney e CartaCapital convergem para o mesmo diagnóstico: Lula vence todos os cenários de segundo turno testados pela CNT/MDA, não apenas contra Flávio Bolsonaro, mas também em eventuais combinações com outros nomes da oposição. Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia um campo da direita ainda fragmentado, com múltiplas alternativas sendo testadas, o que dificulta a consolidação de uma candidatura única e competitiva.

Transferência de capital político e cenário em aberto

Esse ponto se conecta diretamente à presença de Flávio Bolsonaro como herdeiro político do capital eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Mesmo sem a participação direta do pai, o senador aparece com desempenho competitivo, o que indica capacidade de retenção de parte do eleitorado bolsonarista, mas ainda sem força suficiente, neste recorte, para ultrapassar Lula em um segundo turno.

Ao mesmo tempo, o volume de eleitores que não se posicionam de forma definitiva chama atenção. A taxa de indecisos e de votos brancos ou nulos permanece elevada para um cenário já estimulado com nomes conhecidos, o que sugere baixa cristalização do voto e indica que o eleitorado ainda está em processo de formação de preferências. Esse dado, combinado à margem relativamente estreita entre os dois principais nomes, reforça que a disputa permanece aberta.

A pesquisa foi realizada com entrevistas presenciais em todo o país, com amostra representativa da população brasileira e nível de confiança de 95%, e se insere em um conjunto mais amplo de medições que, ao longo de 2026, vêm apontando a manutenção de uma disputa concentrada entre dois polos políticos. A leitura geral é de que Lula entra no ciclo eleitoral com vantagem, mas sem margem suficiente para descartar competição efetiva, em um cenário ainda condicionado à evolução do ambiente político e à reorganização das candidaturas nos próximos meses.

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