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A autodeclaração de renda no Brasil está longe de refletir a realidade. Levantamento da Klavi, empresa de inteligência via Open Finance, revela que 59% dos brasileiros inflacionam seus rendimentos ao solicitar crédito. O estudo analisou mais de 2 mil pedidos de financiamento veicular entre dezembro de 2023 e abril de 2025.

Os dados são mais alarmantes nas faixas de menor renda. Entre quem recebe até dois salários mínimos, 84% superdeclaram seus ganhos, com exagero médio de 100% – o dobro da renda real. Na média geral, a diferença entre o que as pessoas dizem ganhar e o que realmente ganham é de 24%.

O exagero se repete em todas as faixas etárias e de renda. Cerca de 32% dos brasileiros declaram receber o dobro do que ganham, 15% afirmam ganhar três vezes mais e 8% chegam a declarar quatro vezes sua renda real.

A distorção também aparece na comparação entre renda declarada e observada via Open Finance. Enquanto 30% se dizem na faixa de até dois salários mínimos, na prática 65% estão nesse grupo. Já acima de seis salários, 9% afirmam receber esse valor, mas apenas 3% têm renda compatível.

Bruno Chan, CEO da Klavi, aponta que o fenômeno expõe tanto a necessidade de mudança no mercado de crédito quanto o valor do Open Finance. “Quando o mercado trabalha com dados reais de renda, reduz inadimplência, melhora a precificação e cria produtos mais justos”, afirma.

Entre os jovens de 18 a 30 anos, apenas 22% distorcem a renda – o menor índice –, mas quando exageram, inflam o salário em 90%. Na faixa de 31 a 45 anos, 72% superdeclaram, com exagero de 69%.

Chan destaca que a superdeclaração revela insegurança, informalidade e pressão social. “Ao declarar a renda real, o consumidor aumenta suas chances de receber propostas adequadas e evita comprometer sua saúde financeira”, pondera.

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