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Marcelo Camargo/Agência Brasil e Edilson Rodrigues/Agência Senado

A rejeição da Polícia Federal à delação de Daniel Vorcaro provocou reações distintas nos dois principais campos eleitorais do país. Aliados de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a decisão reduz o impacto imediato do caso Master na corrida presidencial, embora mantenham cautela: o temor petista é que Vorcaro, diante de sua situação jurídica, tente ligar o maior número possível de atores políticos ao escândalo ao negociar com a Procuradoria-Geral da República.

Do lado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula e figura central nas revelações sobre sua relação com o ex-banqueiro, a leitura é de oportunidade para “virar a página”. Interlocutores do PL admitem que a simples possibilidade de uma delação mantinha um estado permanente de apreensão, com risco não tanto de uma citação direta ao senador, mas de o caso permanecer no centro do noticiário por tempo indeterminado, gerando sucessivas revelações e novas frentes de investigação.

A rejeição da PF, portanto, enseja alívio e incerteza. Para a campanha de Lula, o fim das negociações com a polícia diminui a hipótese de uma colaboração homologada com poder destrutivo imediato. Mas não elimina o risco: petistas trabalham com a expectativa de que a PGR também rejeite o acordo, reconhecendo que, mesmo assim, o caso pode continuar tumultuando o ambiente político.

Para Flávio Bolsonaro, a rejeição da PF reduz parcialmente a chance de escalada imediata da crise e ajuda a conter a produção de novos capítulos. O PL, no entanto, já discute reservadamente os impactos políticos da crise sobre a viabilidade eleitoral do senador. Dirigentes do partido trabalham com prazo informal de cerca de 15 dias para medir o desgaste e avaliar se a candidatura sobrevive à pressão. Nos bastidores, cresceram conversas sobre alternativas na direita, Michelle Bolsonaro, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), enquanto setores do mercado financeiro, lideranças evangélicas e integrantes do Centrão adotam postura de cautela.

Publicamente, aliados de Flávio minimizam o caso. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), negou alívio: “O Vorcaro tem que falar tudo o que sabe e o que fez. Não faz diferença nenhuma para o Flávio. Nós queremos a verdade”, afirmou.

Enquanto as campanhas calculam impactos, Vorcaro realinhou sua estratégia. Diante da resistência da PF, o ex-banqueiro aceitou elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido em eventual acordo com a PGR. A defesa acredita haver mais espaço de negociação com a Procuradoria, já que as primeiras conversas foram conduzidas pela equipe de Paulo Gonet antes da entrada da PF no processo.

A PGR, no entanto, impôs condições duras: além do aumento do valor, exigiu que o roteiro de delação seja refeito. Assessores de Gonet advertem que Vorcaro receberá uma “bela chamada” se realmente quiser trabalhar por um acordo. A PF e a PGR concordam que a primeira proposta foi insuficiente e omitiu informações importantes. A decisão final sobre homologação caberá ao ministro André Mendonça, relator no STF.

Uma pesquisa da Quaest divulgada no dia 13 mostrou que 46% dos entrevistados avaliam que o escândalo do Banco Master afetou negativamente, de forma semelhante, a imagem do governo Lula, do governo Bolsonaro, do STF, do Congresso Nacional e do Banco Central — indicando que, independentemente do desfecho da delação, o estrago reputacional já é compartilhado pelo sistema político como um todo.

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