
A Nokia anunciou nesta quarta-feira (19) uma ampla reestruturação estratégica voltada para inteligência artificial, com projeção de elevar o lucro operacional em até 60% nos próximos três anos. A empresa finlandesa simplificará sua estrutura em dois segmentos principais a partir de janeiro de 2026: Infraestrutura de Rede e Infraestrutura Móvel.
“A Nokia mudou o mundo uma vez conectando pessoas e fará isso novamente conectando inteligência”, afirmou Justin Hotard, presidente e CEO da companhia, que liderará interinamente o segmento de Infraestrutura Móvel. A meta é alcançar lucro operacional anual entre 2,7 bilhões e 3,2 bilhões de euros até 2028, contra os 2 bilhões registrados no ano passado.
A divisão de Infraestrutura de Rede, sob comando de David Heard, reunirá três unidades, Redes Ópticas, Redes IP e Redes Fixas, e será posicionada para capitalizar a expansão global da IA e de data centers. Já a Infraestrutura Móvel concentrará Redes Centrais, Redes de Rádio e Padrões de Tecnologia, focando em redes nativas de IA e tecnologia 6G.
Entre as novidades, destaca-se a criação da unidade Nokia Defense, voltada para pesquisa e desenvolvimento em soluções de conectividade segura de nível militar. A empresa enxerga oportunidades nos EUA, Finlândia e países aliados para fornecer tecnologia baseada em sua infraestrutura de rede.
A Nokia também criará o segmento Negócios de Portfólio, reunindo áreas consideradas não essenciais, como rádio micro-ondas e acesso sem fio fixo. A companhia planeja reduzir despesas operacionais de 350 milhões para 150 milhões de euros até 2028.
A reestruturação surge em meio à desaceleração dos investimentos globais em 5G, levando a Nokia a intensificar sua aposta em IA. Para Infraestrutura de Rede, a meta é crescimento anual de 6% a 8% entre 2025 e 2028, com margem operacional de 13% a 17%.