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Gustavo Lima/STJ/Divulgação

A crise envolvendo o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi ganhou um novo capítulo na quinta-feira (9), com a divulgação de um vídeo em que uma ex-assessora relata episódios de assédio no gabinete. O conteúdo reforça acusações já em apuração e amplia o alcance de um caso que, nas últimas semanas, passou de denúncia individual a questão institucional dentro da Corte.

No depoimento, a ex-servidora descreve situações recorrentes de constrangimento no ambiente de trabalho e afirma que o comportamento do ministro não se limitava a um episódio isolado. Ao narrar uma das ocorrências, afirma: “foi o dia que eu mais me senti violada”. O relato também menciona um ambiente de pressão constante, com impacto direto na rotina profissional e emocional da equipe.

Do primeiro relato à escalada do caso

As denúncias contra Buzzi vieram à tona inicialmente após o relato de uma jovem de 18 anos, que afirmou ter sido alvo de assédio sexual por parte do ministro em janeiro deste ano. A acusação, revelada pela imprensa, descrevia abordagens consideradas inadequadas e deu origem a procedimentos preliminares de apuração no âmbito do Judiciário.

O episódio rapidamente ganhou repercussão nacional não apenas pelo teor das acusações, mas pela posição ocupada por Buzzi no STJ, um dos principais tribunais superiores do país. A partir daí, surgiram novos relatos e informações que passaram a indicar a possibilidade de um padrão de comportamento no ambiente do gabinete.

É nesse contexto que o depoimento mais recente se insere. Ao detalhar novos episódios, a ex-assessora amplia o escopo das denúncias e reforça a linha de investigação já em curso. Segundo reportagens publicadas por diferentes veículos, os relatos passaram a integrar procedimentos administrativos abertos contra o ministro.

Apurações em curso e debate interno no tribunal

O caso já vinha sendo acompanhado internamente pelo STJ e entrou na pauta administrativa da Corte na terça-feira (7), durante reunião que também tratou da eleição da nova direção do tribunal. A inclusão do tema na agenda indica que a situação deixou de ser tratada apenas no plano preliminar e passou a demandar posicionamento institucional.

Além disso, os diferentes relatos — incluindo o da jovem de 18 anos e o da ex-assessora — vêm sendo analisados em procedimentos paralelos, o que pode levar à consolidação de um conjunto mais amplo de evidências sobre a conduta no gabinete.

A evolução dessas apurações ocorre em um momento em que o Judiciário brasileiro enfrenta maior escrutínio público sobre mecanismos de prevenção e resposta a casos de assédio, especialmente quando envolvem autoridades de alto escalão.

A defesa do ministro Marco Buzzi afirma que as acusações são infundadas e sustenta que não há provas que confirmem os relatos. Os advogados argumentam que o caso deve ser analisado dentro das garantias do devido processo legal e com base em elementos objetivos.

Crise institucional no STF e próximos desdobramentos

Com a divulgação do vídeo e a ampliação das denúncias, o caso passa a pressionar diretamente o STJ, que terá de decidir como conduzir a apuração e quais medidas adotar diante da repercussão.

Mais do que um episódio isolado, a situação expõe a dificuldade das instituições em lidar com denúncias internas envolvendo membros de alto escalão e recoloca em debate os mecanismos de responsabilização no Judiciário.

Os próximos movimentos do tribunal, tanto no campo administrativo quanto disciplinar, devem definir o alcance do caso e seu impacto sobre a Corte.

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