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Os seis planos de governo apresentados pelos principais candidatos à Presidência da República são insuficientes para estabilizar a dívida pública nas condições projetadas, segundo análise do Ranking dos Políticos. O estudo avaliou 1.297 propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).

Das propostas analisadas, 478 puderam ser submetidas ao teste fiscal, que levou em conta custos, economias e compatibilidade com as restrições orçamentárias vigentes. O levantamento não considerou mérito, constitucionalidade ou possibilidade de aprovação no Congresso. Entre as propostas avaliadas, 217 foram consideradas viáveis, 249 parcialmente viáveis e 12 inviáveis. Nove destas últimas estão no plano do Missão e três no do PL.

Entre os candidatos, Romeu Zema apresentou o resultado mais próximo da estabilização. Seu plano registrou uma distância de R$ 392 bilhões anuais, equivalente a 2,9% do PIB, e saldo central negativo de R$ 50 bilhões. É o único cuja faixa de resultados chega a cruzar o zero em determinado cenário. O estudo, porém, ressalta que isso dependeria de uma reforma previdenciária cujos efeitos fiscais mais relevantes ocorreriam após o mandato, além de uma substituição do atual arcabouço fiscal sem definição de uma nova âncora.

Augusto Cury aparece praticamente empatado com Zema, com distância de R$ 393 bilhões anuais e saldo deficitário de R$ 51 bilhões. Seu programa é o único a estabelecer uma meta fiscal própria, de déficit próximo de zero durante o mandato, mas ainda assim não interromperia a trajetória da dívida. O estudo destaca que 67% de suas propostas não puderam ser mensuradas por falta de dados orçamentários.

Ronaldo Caiado apresentou o plano considerado metodologicamente mais claro em relação às consequências fiscais. Sua proposta, entretanto, prevê uma regra de despesas obrigatórias considerada menos restritiva que a atual. O saldo projetado é negativo em R$ 69 bilhões anuais, com distância de R$ 411 bilhões da estabilização.

No caso de Lula, apenas 29% das propostas puderam ser classificadas com fontes externas, a menor cobertura da análise. O resultado mensurável aponta déficit de R$ 111 bilhões anuais e distância de R$ 452 bilhões. Flávio Bolsonaro aparece com saldo negativo de R$ 154 bilhões e distância de R$ 496 bilhões, ou 3,6% do PIB. O relatório ressalta que parte significativa de suas propostas não apresentava dados suficientes para mensuração.

O estudo utilizou como referência o Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 113 da Instituição Fiscal Independente (IFI), de junho de 2026, além do limite de crescimento real das despesas e da regra de ouro.

Segundo a IFI, seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a dívida bruta. Como a projeção para 2026 é de déficit primário de 0,4% do PIB, o próximo governo partiria de uma necessidade de ajuste de aproximadamente 2,5 pontos percentuais do PIB, ou R$ 342 bilhões anuais, antes mesmo de considerar novas promessas eleitorais.

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