
O crescimento de Renan Santos entre setores da Faria Lima está menos relacionado ao tamanho atual de sua candidatura do que à percepção, entre parte do mercado financeiro, de que ele representa uma alternativa à polarização entre lulismo e bolsonarismo. Embora o apoio esteja longe de ser unânime, economistas, gestores e empresários identificam no candidato do Missão uma combinação que consideram promissora: liberalismo econômico, defesa de um ajuste fiscal contundente e uma postura de enfrentamento ao sistema político tradicional.
A principal atração é a agenda econômica. Em um ambiente de crescente preocupação com as contas públicas, Renan é visto por apoiadores como alguém disposto a promover mudanças mais radicais do que os candidatos tradicionais. Para o economista Tony Volpon, ouvido pela BBC Brasil, a preocupação fiscal é especialmente forte no mercado financeiro, que enxerga no candidato uma possibilidade em ascensão diante do desgaste de Lula e Bolsonaro.
Outro fator é a tentativa de construir uma direita desvinculada da família Bolsonaro. Renan combina o ultraliberalismo associado a Javier Milei com uma agenda de segurança inspirada em Nayib Bukele, ao mesmo tempo em que se apresenta como um outsider, sem experiência em cargos públicos. Para parte do mercado, essa característica pode representar uma renovação da direita e uma alternativa eleitoral para além de 2026.
Há ainda uma aposta estratégica no futuro. Alguns integrantes da Faria Lima consideram que o Missão possui militância engajada, capacidade de comunicação nas novas mídias e potencial para crescer nos próximos ciclos eleitorais.
O entusiasmo, porém, não significa que o mercado financeiro esteja fechado com Renan, tampouco que tenha capacidade de determinar o resultado eleitoral. O interesse existe, mas reflete sobretudo a busca por uma nova alternativa de direita, fiscalmente liberal e menos dependente do bolsonarismo.