Agência Senado

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência passa por uma reformulação de estratégia às vésperas do início oficial da propaganda eleitoral, em 16 de agosto. Sob o comando do marqueteiro Duda Lima — o terceiro a assumir o posto em menos de três meses, após as saídas de Alexandre Oltramari, Eduardo Fischer e Marcello Lopes —, o candidato adotou o slogan “O Brasil vai vencer”, com identidade visual em verde e amarelo ancorada na letra “V”.

A mudança de tom já havia sido antecipada em junho, quando Flávio, durante o lançamento da pré-candidatura de André do Prado (PL) ao Senado paulista, repetiu sem inversão o slogan histórico de Lula em 2002: “A esperança vai vencer o medo este ano”. Nas últimas semanas, o senador também passou a defender o Bolsa Família e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, bandeira original de Lula. A guinada contrasta com o histórico do governo Bolsonaro e sinaliza uma tentativa de disputar o eleitorado com pautas do adversário.

Ao mesmo tempo, a nova equipe de comunicação prepara peças que devem explorar o medo como argumento contra o PT, com frases como “O Lula prometeu esperança e entregou decepção” e “A esperança virou medo”. Nos materiais internos do PL, chama atenção outro detalhe: o candidato passou a ser identificado apenas como “Flávio”, sem o sobrenome Bolsonaro — movimento interpretado como tentativa de distanciá-lo do desgaste da família e das condenações judiciais do pai, sentenciado a mais de 27 anos de prisão pelo STF por tentativa de golpe.

A largada da campanha ocorrerá no Rio de Janeiro, reduto eleitoral de Flávio e berço do bolsonarismo, com atividades de corpo a corpo ao lado de aliados como Douglas Ruas, Carlos Jordy e Carlos Portinho. Um grande ato está previsto para domingo, em Copacabana, palco histórico de manifestações da direita. Também no domingo, Flávio deve aparecer publicamente pela primeira vez ao lado do vice escolhido, Alfredo Gaspar (PL).

Lula (PT), por sua vez, fará ato na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, batizado de “Onde tudo começou”, em referência à sua trajetória de resistência à ditadura. Já os candidatos Ronaldo Caiado e Romeu Zema não têm agenda simbólica marcada: Caiado deve se dedicar à apresentação de propostas de governo, enquanto Zema estará em Montes Claros (MG).

Veja também