Alexandre de Moraes
Rosinei Coutinho/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) passou a discutir uma reação institucional após o ministro Alexandre de Moraes ser oficialmente notificado em um processo movido nos Estados Unidos relacionado a decisões tomadas no Brasil contra plataformas digitais e perfis investigados por desinformação e ataques à democracia.

Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (25) pelo g1, ministros da Corte avaliam que o caso representa uma tentativa inédita de pressionar integrantes do STF por meio do sistema judicial americano, criando um possível conflito diplomático e jurídico entre Brasil e Estados Unidos.

A ação foi apresentada na Justiça da Flórida por uma empresa americana ligada ao setor de tecnologia e questiona decisões tomadas por Moraes envolvendo remoção de conteúdos, bloqueio de contas e ordens judiciais expedidas no contexto de investigações sobre atos antidemocráticos, milícias digitais e ataques às instituições brasileiras.

STF vê tentativa de intimidação internacional

Nos bastidores do STF, ministros interpretam o episódio como mais uma escalada internacional da ofensiva bolsonarista contra Alexandre de Moraes e o Judiciário brasileiro.

Integrantes da Corte avaliam que a notificação judicial enviada a Moraes busca constranger o magistrado fora do território nacional e criar pressão política internacional sobre decisões tomadas no âmbito das investigações conduzidas pelo STF desde 2020.

Segundo interlocutores ouvidos pela GloboNews, há preocupação crescente com tentativas de transformar disputas políticas brasileiras em ações internacionais voltadas a desacreditar o Supremo junto a setores da direita americana ligados ao trumpismo e às plataformas digitais.

O caso ocorre em meio ao aprofundamento das relações entre aliados do bolsonarismo e grupos conservadores dos Estados Unidos críticos às decisões de Moraes contra redes de desinformação e perfis extremistas.

Moraes virou alvo prioritário do bolsonarismo internacional

Nos últimos anos, Alexandre de Moraes se tornou um dos principais alvos políticos do bolsonarismo após assumir investigações relacionadas aos atos golpistas, ataques ao sistema eleitoral, financiamento de redes antidemocráticas e tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

O ministro também passou a enfrentar críticas frequentes de empresários ligados às big techs e de setores da extrema direita internacional por decisões envolvendo bloqueio de contas, remoção de conteúdos e responsabilização de plataformas digitais.

Nos Estados Unidos, parlamentares republicanos ligados ao entorno de Donald Trump passaram a citar Moraes em audiências e discursos sobre liberdade de expressão e regulação das plataformas.

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro também vêm intensificando contatos com setores conservadores americanos em busca de apoio político internacional contra o STF.

STF avalia resposta conjunta e preocupação diplomática

Segundo o g1, ministros defendem que a reação ao episódio não seja apenas individual de Alexandre de Moraes, mas uma manifestação institucional do Supremo como forma de evitar precedente considerado perigoso para a soberania das decisões da Corte brasileira.

Há avaliação dentro do STF de que permitir judicialização internacional contra ministros brasileiros pode abrir espaço para tentativas futuras de intimidação contra integrantes do Judiciário e autoridades de outros países.

Além do aspecto jurídico, o caso também passou a gerar preocupação diplomática. Integrantes do governo federal acompanham o tema devido ao risco de ampliação das tensões entre grupos ligados ao trumpismo e instituições brasileiras.

O episódio ocorre justamente num momento em que o debate sobre regulação de plataformas digitais, combate à desinformação e atuação das big techs voltou ao centro da disputa política global.

Caso amplia tensão entre STF, extrema direita e plataformas digitais

A ação contra Moraes surge em meio a um cenário de crescente radicalização política internacional envolvendo liberdade de expressão, redes sociais e atuação de tribunais superiores.

Desde 2023, o ministro se tornou símbolo internacional tanto para defensores do combate à desinformação quanto para grupos da extrema direita que acusam o STF de censura e perseguição política.

No Brasil, decisões de Moraes envolvendo bloqueio do X, suspensão de perfis bolsonaristas, prisões de investigados por atos golpistas e punições a parlamentares ampliaram o confronto direto entre o Supremo e setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Agora, com a judicialização do conflito em território americano, ministros do STF avaliam que a disputa ultrapassou definitivamente as fronteiras brasileiras e passou a integrar uma guerra política internacional envolvendo plataformas digitais, soberania judicial e radicalização ideológica.

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