Foto: Reprodução/TSE

As mulheres devem ocupar o centro da disputa pela Presidência da República em 2026. Representando 52,85% do eleitorado brasileiro, o equivalente a cerca de 82 milhões de eleitoras, elas despontam não apenas como a maioria dos votantes, mas como o grupo com maior potencial para definir o resultado da eleição. As pesquisas mais recentes mostram que a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro está concentrada justamente entre o eleitorado feminino, levando os principais pré-candidatos a reforçarem discursos e propostas voltadas às demandas das brasileiras.

O peso político desse segmento não é novidade. Na eleição de 2022, as mulheres foram decisivas para a vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro. Enquanto o petista conquistou 54% dos votos femininos, Bolsonaro ficou com 46%. Considerando que a vitória foi apertada, com 50,9% dos votos válidos, a diferença registrada entre as eleitoras foi determinante para o resultado final.

As pesquisas de intenção de voto indicam que esse cenário permanece. Levantamento Nexus/BTG Pactual aponta Lula com 48% das intenções de voto entre as mulheres, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, porém, o quadro se inverte: o senador lidera por 40% a 35%. Já o Datafolha confirma a tendência ao registrar Lula com 44% entre as eleitoras, enquanto Flávio aparece com 26%. No eleitorado masculino, há empate técnico, com ambos marcando 37%. No cenário geral, Lula mantém vantagem.

Os números ajudam a explicar a mudança de postura observada nas últimas semanas entre os presidenciáveis. Em meio à pré-campanha, praticamente todos intensificaram manifestações direcionadas ao público feminino, especialmente em temas relacionados à segurança, combate à violência doméstica, empreendedorismo e participação política.

No caso de Flávio Bolsonaro, a estratégia ganhou força após a crise envolvendo Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama tornou público um desentendimento com o senador, afirmando ter sido desrespeitada durante discussões internas do PL. O episódio gerou repercussão negativa justamente em um eleitorado que o pré-candidato busca ampliar.

Desde então, Flávio passou a defender que as pautas femininas não sejam tratadas como questão ideológica, mas econômica e social. Entre as propostas apresentadas estão endurecimento das penas para agressores, castração química para estupradores, fortalecimento das medidas protetivas, ampliação do microcrédito para mulheres, incentivo ao empreendedorismo feminino, criação de unidades especializadas no SUS e políticas voltadas às mães solo.

Lula, por sua vez, procura consolidar a vantagem entre as eleitoras destacando ações de seu governo. Nos últimos dias, voltou a defender o aumento das penas para feminicídio e reforçou o compromisso com o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. Também tem lembrado medidas como a sanção da lei de igualdade salarial entre homens e mulheres e a maior presença feminina na Esplanada dos Ministérios em comparação com governos anteriores.

Além das propostas, o presidente também busca transmitir um sinal político. A escolha da senadora Teresa Leitão para liderar o governo no Senado marcou a primeira vez, desde a redemocratização, que uma mulher ocupa o posto, movimento interpretado como uma tentativa de reforçar o compromisso com a representatividade feminina.

Outros pré-candidatos também adaptaram seus discursos. Ronaldo Caiado enfatiza políticas de segurança pública voltadas às mulheres, como monitoramento eletrônico de agressores e auxílio financeiro para vítimas de violência doméstica. Romeu Zema associa o aumento da participação feminina na política ao combate à corrupção e promete ampliar políticas estaduais de proteção às mulheres. Já Renan Santos procura enfatizar propostas de endurecimento das penas para crimes contra mulheres, ao mesmo tempo em que tenta superar desgastes provocados por declarações e episódios do passado.

A centralidade do eleitorado feminino também reflete preocupações da sociedade. Pesquisa Datafolha realizada em parceria com o Movimento Mulher 360 mostrou que seis em cada dez brasileiros consideram a violência contra as mulheres o problema mais grave entre os diferentes tipos de violência no país. Casos recentes de feminicídio e violência sexual reforçam a pressão para que os candidatos apresentem propostas concretas sobre segurança, proteção e igualdade de oportunidades.

Mais do que um segmento eleitoral numeroso, as mulheres chegam à disputa presidencial como protagonistas do debate político. As pesquisas indicam que conquistar sua confiança pode representar a diferença entre vitória e derrota, tornando o voto feminino o principal campo de disputa da campanha de 2026.

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