Mais uma polêmica envolvendo o contrato da Prefeitura de São Paulo o ICB, Instituto Conhecer Brasil, para fornecimento de internet gratuita na cidade. Segundo reportagem do Intercept, dados pessoais de quem usou o Wi-Fi público podem ter sido usado para disparos em massa de mensagens, o que viola a legislação e o edital de contratação do serviço. A ação se torna ainda mais grave por ter ocorrido durante o período eleitoral, em 2024, quando o prefeito Ricardo Nunes concorria à reeleição.

O ICB contratou a Talk Communications, por 2,7 milhões de reais, para fazer campanhas de promoção do programa “WiFi Livre SP”, prevendo, no acordo, que o ICB seria responsável por fornecer a base de dados. A contratação de serviços adicionais, como o envio de mensagens com promoções e conteúdos diversos, contraria os termos do edital de licitação —que veda o uso do dinheiro para uma finalidade diferente do objeto do contrato.

O contrato do ICB está na mira do Tribunal de Contas do Município há mais de dois anos. De acordo com o Intercept, há um processo em tramitação investigando possíveis irregularidades no edital e execução do contrato. Tanto a Talk Communications quanto a Prefeitura de São Paulo negam qualquer uso indevido nas campanhas realizadas.

Nesta semana, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a ‘Operação Wi-Fi’, que tem como alvo o contrato de 108 milhões de reais da Prefeitura com o ICB. O instituto é dirigido por Karina Ferreira da Gama, que também é dona da GoUp, a produtora responsável pelo filme Dark Horse – que foi quase que integralmente financiado por Daniel Vorcaro, do Banco Master. A polícia paulista investiga se recursos do contrato com Ricardo Nunes foram usados também para pagar as contas do filme que conta a história de Jair Bolsonaro. 

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