Hat Trick do Lula: caminhoneiros, aplicativos e caça supersônico

O presidente Lula fez seu hat trick da semana e tem direito a pedir música no Fantástico. Fez três golaços nos últimos dias. Fechou com os caminhoneiros e afastou a greve que paralisaria o país, anunciou um pacote de medidas em defesa dos trabalhadores por aplicativo e, por fim, lançou o primeiro caça supersônico fabricado no Brasil – com direito a voo em céu de brigadeiro. Tudo isso pouco tempo depois de a GloboNews tentar colocá-lo no epicentro do escândalo do Banco Master, relembrando como as Organizações Globo sempre tentaram influenciar as eleições no Brasil. Para o bem da democracia, o polêmico powerpoint foi desmentido e desmascarado. Mas este é outro capítulo.

Mas por que caminhoneiros, aplicativos e caça da FAB são gols de placa do presidente? As razões são várias, além de decisivas. Para as eleições de outubro e, sem exagero, para o futuro do país.

A greve dos caminhoneiros era a grande aposta dos bolsonaristas para instalar o caos, paralisar o país e jogar toda a culpa da alta dos combustíveis no colo do governo. Sonhavam em reeditar 2018 e tirar grande proveito eleitoral, como aconteceu naquele ano. Parte da vitória de Bolsonaro pode ser creditada ao efeito que a greve geral nas estradas causou no Brasil cambaleante e inerte da gestão Temer.

Oito anos depois, a história é outra. O Palácio do Planalto não se acovardou e agiu com precisão cirúrgica e, sobretudo, dialogando com as lideranças da categoria. Entre as providências, publicou medida provisória para endurecer a fiscalização do piso do frete, a principal reivindicação dos caminhoneiros.  Trabalho que também passará a ser feito pela ANTT, Agência Nacional de Transportes Terrestres.

Ao mesmo tempo, o governo também atuou para conter a alta dos combustíveis, mexendo nos impostos federais e pressionando governadores para redução temporária na cobrança do ICMS, além de apertar a fiscalização de postos e distribuidores que estavam aproveitando a guerra no Irã para antecipar a alta dos preços nas bombas. Em outras palavras, empresários oportunistas que vêm usando a instabilidade internacional na cotação do barril de petróleo para ganhar dinheiro. Tudo isso com a benção de muitos governadores bolsonaristas que enxergaram na crise uma forma de fustigar a popularidade de Lula.

O segundo gol de placa são as medidas para melhorar as condições de trabalho e remuneração de entregadores e motoristas de aplicativo. O governo entrou como mediador na conversa entre trabalhadores e as gigantes da tecnologia a partir de um Grupo de Trabalho criado pelos ministros Guilherme Boulos e Luiz Marinho.

O GT se reuniu ao longo dos últimos meses, chegando a uma pauta de melhorias. Uma das mudanças mais relevantes, em nome da transparência, obriga que as plataformas passem a informar ao consumidor qual parte do valor fica com o aplicativo e qual parte é destinada ao trabalhador. Outra medida prevê o aumento do valor mínimo por entrega, que sobe de R$ 7,50 para R$ 10,00, além do aumento no pagamento extra quando a entrega supera a distância de quatro quilômetros. Há, ainda, a garantia de instalação de pontos de apoio equipados com banheiro, água, vestiário, área para alimentação, descanso e conectividade para os profissionais.

E por que podemos considerar os resultados do GT de trabalhadores por aplicativos como relevante para o governo? Porque o PT e os governos petistas sempre foram criticados por não ter respostas e não saber dialogar com as novas formas de relação de trabalho, a chamada Geek Economy.  Os últimos meses mostram a inflexão, assumindo protagonismo e trazendo resultados concretos já no curto prazo.

Por fim, o terceiro golaço. O presidente Lula apresentou o Gripen F-39E, o novo caça supersônico da Força Aérea Brasileira. Desenvolvido em parceria entre a sueca Saab e a brasileira Embraer, este é o primeiro avião de guerra produzido no Brasil e com garantia de transferência de tecnologia. Vale lembrar que o projeto para aquisição dos novos caças se arrastou por anos e foi tratado como prioridade pelo governo Dilma. Hoje, é realidade.

Trinta e seis caças supersônicos não fazem cócegas perto do poderio militar dos Estados Unidos, mas a visão de estado que prioriza a defesa da soberania nacional é mais que necessária no momento que Donald Trump age como síndico do mundo e dá sinais de que não respeita limites, fronteiras e humanidade. Os caças supersônicos mostram a disposição do governo federal de não rifar nossa soberania, hoje e no futuro.

Só falta agora a música no Fantástico.

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