Antes que a GloboNews faça um novo PowerPoint tendencioso de olho nas eleições de outubro, vale a pena botar no papel e dizer, sem meias palavras, “quem é quem” no debate sobre o fim da Escala 6×1. O PowerPoint que diz quem é a favor e quem é contra a redução de jornada sem mexer nos salários.
Não restam dúvidas sobre quem está do lado do povo e dos trabalhadores e quem são aqueles que vão trabalhar para boicotar a mudança ou que, simplesmente, desconversam e se constrangem quando o tema aparece. Muitos preferem mudar de calçada para não esbarrar na polêmica.
Olhando para as eleições presidenciais, o que podemos enxergar?
De um lado, o presidente Lula abraçou a defesa do fim da 6×1 e quer terminar seu terceiro mandato deixando a redução da jornada como um dos seus principais legados.
Do outro, o silêncio. Flávio Bolsonaro lidera a lista daqueles que mudam de calçada. Foge mais do que o diabo foge da cruz. Ele sabe que ser contra o fim da escala 6×1 pode agradar a Faria Lima e o empresariado, mas pega muito mal diante da maioria dos brasileiros. Para piorar a situação do candidato da dancinha, 55% dos eleitores que votaram em Bolsonaro em 2022 querem o fim da 6×1, diz o Datafolha. Pior: 67% dos evangélicos, principal reduto eleitoral do bolsonarismo, também apoiam. Por enquanto segue assim: se não tem o que dizer, prefere pular desengonçadamente no palco para disfarçar, criar polêmica e viralizar nas redes sociais.
QUEM É “A FAVOR”
Mais de 70% da população. De acordo com recente pesquisa Datafolha, 7 entre 10 brasileiros defendem o fim da escala. Num país dividido até o último fio de cabelo, o número não deixa dúvida sobre a opinião da maioria da sociedade. A redução da jornada é uma vontade do povo, sejam lulistas ou bolsonaristas
Presidente Lula. Abraçou a causa e quer a redução da jornada como símbolo de uma gestão que, como ele mesmo vem dizendo, é o “governo do lado do povo brasileiro”.
Deputada Erika Hilton. A parlamentar é a autora da PEC que propõe a mudança e uma das principais lideranças políticas na defesa do tema. Virou um símbolo do fim da 6×1.
Ministro Guilherme Boulos. Uma das vozes do governo que mais vem batendo na tecla. E já deu o recado: o Planalto não vai ficar à mercê das chicanas de Hugo Motta e do centrão no Congresso. Se a PEC não avançar, o governo Lula vai enviar um projeto de lei com regime de urgência.
Partidos de esquerda e centro-esquerda. PSOL e PT lideram a narrativa pelo fim da 6×1. Mas não estão sozinhos. A PEC tem apoio de outras legendas do campo progressista, como o PC do B, PDT, PSB, PV, Rede e Solidariedade.
Centrais sindicais. Elas defendem a redução imediata para 40 horas, sem perdas salariais, além de definição de escalas em negociação coletiva.
Trabalhadores da escala 6 x 1. Quem não quer ter o direito de ter descanso digno e mais tempo para a família e o lazer?
QUEM “É CONTRA”
Tarcísio de Freitas. O governador de São Paulo assumiu o papel de porta-voz da Faria Lima. Em entrevistas recentes, vem dizendo que a proposta é “populista” e “irresponsável”. (Pausa para uma dúvida. O que é mais irresponsável: defender o fim da 6×1 ou reduzir o orçamento do combate à violência contra a mulher enquanto São Paulo bate recordes de feminicídios?)
Bolsonaro.
Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. É o mais sincero e honesto (e aqui o registro da proeza de juntar Valdemar e honestidade na mesma frase). Não disfarça. Disse abertamente que vai trabalhar para enterrar a PEC no Congresso nem que seja preciso “dar a vida” para conseguir.
Marcos Pereira, presidente do Republicanos. Ele é quase um filósofo quando fala sobre o tema. O cacique do partido de Tarcísio avalia que o “ócio demais faz mal” e que o pobre não saberia o que fazer com mais tempo livre.
Antônio Rueda, presidente do União Brasil. Ele faz parte daqueles que pisam em ovos ao falar sobre o tema. Disse que é um “dilema a ser enfrentado”. Traduzindo o dilema de Rueda: como votar contra uma medida popular em ano de eleição?
Nikolas Ferreira. O mascote bolsonarista não assinou a PEC e é mais um que a classifica como “populista”.
CNI. A Confederação Nacional da Indústria diz que o fim da 6×1 é um debate “apressado” e que pode aumentar os custos empresariais em mais de R$ 250 bilhões, afetando competitividade e empregos. Bem, seu papel é esse mesmo: espalhar o medo. É a voz da Faria Lima. Dizer que o país vai quebrar, a inflação vai voltar e a vida de todo mundo vai para o abismo. Igualzinho falavam na época da criação da CLT. E nada aconteceu.
FIESP. A FIESP é outra porta-voz do caos. “Não é hora do fim da 6×1”, afirmou o presidente Paulo Skaf. A ladainha é a mesma: queda da produtividade, aumento do desemprego e da informalidade. A tática do medo tem a missão de inverter a narrativa. A redução da jornada de trabalho vai gerar mais empregos. O que eles não querem é pagar a conta.