Flávio
Andressa Anholete/Agência Senado

A repercussão dos áudios revelados envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro passou a provocar forte reação também no empresariado brasileiro. Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (14) pela CNN Brasil, empresários reunidos em Nova York durante a Brazil Week passaram a tratar reservadamente o episódio como potencial “fim da campanha” presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026.

De acordo com a reportagem da jornalista Priscila Yazbek, o clima predominante entre empresários presentes nos eventos da Brasil Week era de “perplexidade” após o vazamento do áudio em que Flávio Bolsonaro cobra recursos financeiros de Vorcaro para bancar o filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro. A CNN relata que o tema dominou conversas em encontros empresariais, jantares e eventos paralelos realizados em Nova York ao longo da quarta-feira (13).

Segundo relatos obtidos pela emissora, parte dos empresários avaliou que a crise tornou “insustentável” a tentativa de Flávio Bolsonaro de ampliar sua candidatura para além do núcleo bolsonarista mais fiel. A percepção entre integrantes do mercado financeiro e da elite empresarial seria de que o episódio afasta eleitores de centro e eleitores moderados da direita, considerados fundamentais para qualquer candidatura competitiva ao Planalto.

Comparações com o “Joesley Day”

A reportagem da CNN mostra que empresários chegaram a comparar o impacto político do caso ao chamado “Joesley Day”, ocorrido em maio de 2017, quando vieram a público as gravações da delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista envolvendo o então presidente Michel Temer. Na época, a revelação provocou forte turbulência política e queda expressiva da bolsa brasileira.

Segundo a CNN, empresários presentes nos eventos em Nova York passaram a se referir ao episódio envolvendo Flávio Bolsonaro como “Audio Day”, em referência ao impacto político imediato das gravações divulgadas.

O desconforto cresceu principalmente porque Daniel Vorcaro se tornou um dos personagens centrais do escândalo envolvendo o colapso do Banco Master. O banqueiro foi preso em novembro de 2025 acusado de operar esquema que teria provocado rombo estimado em R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Dias depois, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira.

Segundo interlocutores ouvidos pela CNN, o fato de Flávio Bolsonaro demonstrar proximidade pessoal com Vorcaro nos áudios, tratando o banqueiro como “meu amigo”, agravou a percepção negativa entre empresários e investidores.

Mercado começa a monitorar alternativas

Diante do desgaste da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, empresários passaram a discutir alternativas dentro do campo da direita. Segundo a CNN, os nomes mais mencionados durante a Brazil Week foram Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

De acordo com a reportagem, Zema apareceu como o nome que mais despertou entusiasmo entre parte do empresariado presente em Nova York. O ex-governador mineiro participou de eventos da Brazil Week na quarta-feira e, segundo relatos obtidos pela emissora, teria sido “ovacionado” pela plateia em encontros empresariais.

Um empresário ouvido pela CNN afirmou que surgiu uma “euforia nova” em torno de Zema após o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro. A avaliação de parte do mercado seria de que o ex-governador do Novo reúne perfil mais próximo do empresariado e menos associado ao desgaste político acumulado pelo bolsonarismo desde os atos golpistas de 8 de janeiro.

A reportagem também afirma que o nome de Michelle Bolsonaro chegou a ser discutido como alternativa dentro do próprio bolsonarismo, mas sem grande entusiasmo entre empresários presentes nos encontros em Nova York.

Flávio tenta conter danos

Enquanto empresários discutiam alternativas à direita nos Estados Unidos, aliados de Flávio Bolsonaro tentavam conter os danos políticos em Brasília. Segundo outra reportagem publicada pela CNN nesta quinta-feira, o senador afirmou a interlocutores que “não há qualquer risco” de abandonar a disputa presidencial e manteve agendas de campanha previstas para o interior de São Paulo neste fim de semana.

A estratégia da pré-campanha passou a ser reforçar o discurso de que não houve uso de dinheiro público nem irregularidades na relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O senador também tem afirmado que os contatos com o banqueiro ocorreram antes das denúncias públicas contra o dono do Banco Master.

Nos bastidores da direita, porém, lideranças políticas já admitem preocupação crescente com o impacto eleitoral das revelações. A crise também acelerou disputas internas dentro do campo conservador e ampliou a movimentação de nomes que tentam ocupar espaço político fora do núcleo bolsonarista tradicional.

Veja também