
A acusação de espionagem envolvendo a Polícia Civil de Pernambuco e um secretário da Prefeitura do Recife abriu um novo flanco no embate político entre o prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD), adversários potenciais nas eleições deste ano. O episódio ganhou repercussão após reportagem da TV Record revelar que Gustavo Queiroz Monteiro, secretário municipal de Articulação Política e Social, foi monitorado por policiais civis entre agosto e outubro de 2025.
Segundo a reportagem, agentes acompanharam o veículo usado por Monteiro e por seu irmão, trocaram mensagens sobre a rotina do secretário e chegaram a instalar um rastreador no carro sem ordem judicial. Em coletiva, o secretário estadual de Defesa Social, Alessandro Carvalho, confirmou o monitoramento, alegando que ele decorreu de uma denúncia anônima sobre possível pagamento de propina em contratos da prefeitura. A apuração preliminar, afirmou, não encontrou indícios e o caso foi arquivado.
João Campos classificou a ação como perseguição política e prometeu medidas judiciais, afirmando ser alvo recorrente de investigações com motivação eleitoral. Raquel Lyra, por sua vez, defendeu a atuação da Polícia Civil, sustentando que a investigação ocorreu dentro da legalidade e que denúncias graves devem ser apuradas.
O episódio ocorre em meio a desgastes recentes de ambos os lados, com pedidos de impeachment e questionamentos administrativos que elevam a temperatura política em Pernambuco.