O Estado de São Paulo registra um cenário paradoxal na segurança pública: enquanto indicadores tradicionais de criminalidade seguem em queda, como homicídios dolosos, roubos e furtos, aumentam tanto a letalidade policial quanto os casos de feminicídio.

Dados recentes apontam que a letalidade policial da Polícia Militar cresceu 17% no estado, tendência que também se repete na capital paulista. O governo de Tarcísio de Freitas atribui o avanço à intensificação de operações classificadas como de alto risco, que, segundo a gestão, ampliam a probabilidade de confrontos com desfechos letais. O crescimento ocorre em contraste direto com a redução de crimes comuns, evidenciando uma mudança no perfil da violência.

Paralelamente, o estado também enfrenta um aumento expressivo nos crimes de gênero. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, os casos de feminicídio cresceram 41% no primeiro trimestre deste ano, totalizando 86 ocorrências — o maior número para o período desde o início da série histórica, em 2012. No mesmo intervalo do ano passado, foram registrados 61 casos.

Embora a capital não tenha apresentado variação nos feminicídios, com 17 registros, houve aumento nos casos de estupro, que subiram 1,6% no trimestre. Em março, a alta foi ainda mais acentuada, indicando tendência de agravamento recente.

Em nota, a SSP afirma que o combate à violência contra a mulher é prioridade e que a rede de proteção tem sido ampliada. A recém-empossada comandante-geral da PM, coronel Glauce Anselmo Cavalli, reforçou que pretende priorizar o enfrentamento à violência doméstica e familiar.

Apesar da redução de 5,6% nos homicídios no estado, o menor índice da série histórica para o período, especialistas apontam que os dados evidenciam desafios estruturais. A coexistência de queda na criminalidade geral com o aumento de mortes em intervenções policiais e de crimes contra mulheres sugere a necessidade de políticas públicas mais direcionadas e eficazes para diferentes frentes da violência.

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