
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (7) uma nova fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A ofensiva, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, colocou no centro das investigações o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira, apontado pela PF como “destinatário central” de vantagens econômicas indevidas supostamente pagas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Ao todo, a operação cumpre dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. Entre os alvos está o irmão do senador, Raimundo Nogueira, além de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, preso em Minas Gerais nesta manhã. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, direitos e valores estimados em R$ 18,85 milhões.
Segundo a investigação, o esquema envolvia pagamentos recorrentes ao senador em troca da atuação parlamentar em benefício dos interesses do Banco Master. Conversas interceptadas entre Daniel Vorcaro e Felipe Vorcaro indicam repasses mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Em um dos diálogos obtidos pela PF, Felipe pergunta ao banqueiro: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, sugerindo um aumento progressivo nos valores transferidos.
As mensagens fazem referência à chamada “parceria BRGD/CNLF”, estrutura por meio da qual a empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, enviaria recursos à CNLF Empreendimentos, empresa patrimonial vinculada ao senador. A PF sustenta que os pagamentos eram uma contrapartida para a “instrumentalização do mandato parlamentar”.
O principal episódio citado pelos investigadores envolve a emenda nº 11 à PEC 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024. A proposta previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). De acordo com a PF, o texto da emenda teria sido redigido pela própria assessoria do Banco Master e entregue em um envelope na residência do senador.
Interceptações mostram Daniel Vorcaro comemorando que a proposta “saiu exatamente como mandei”, enquanto interlocutores do banco afirmavam que a mudança poderia “sextuplicar” os negócios da instituição financeira.
Além dos repasses mensais, a investigação aponta supostas operações societárias fraudulentas. Uma delas envolve a compra de 30% da Green Investimentos S.A. pela CNLF Empreendimentos por R$ 1 milhão, embora a participação fosse avaliada em cerca de R$ 13 milhões. A PF também menciona pagamento de despesas pessoais, uso de bens de alto valor e indícios de entrega de dinheiro em espécie.
Paralelamente ao avanço da operação, o STF avalia uma proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro. Nos bastidores da Corte, a sinalização é de que a homologação do acordo dependerá da devolução integral e imediata dos recursos obtidos por meio de corrupção e fraudes financeiras.
A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal analisarão os anexos da colaboração antes de eventual homologação por André Mendonça. A exigência do Supremo inclui a repatriação de valores mantidos no exterior e a identificação de imóveis e ativos ligados ao ex-banqueiro.