
A técnica de enfermagem que acusa o senador Magno Malta (PL-ES) de agressão durante um exame no Hospital DF Star, em Brasília (DF), pediu afastamento das atividades após relatar abalo emocional e psicológico provocado pelo episódio. O caso ocorreu no dia 23 de abril, mas ganhou dimensão nacional nos últimos dias após a divulgação de depoimentos, registros policiais e relatos de testemunhas por veículos locais do Distrito Federal.
Segundo o boletim de ocorrência registrado pela profissional, Magno Malta realizava uma angiotomografia quando houve uma complicação na aplicação do contraste intravenoso usado no exame. O líquido teria extravasado no braço direito do senador, provocando forte inchaço, hematoma e dores intensas. A partir daí, o clima dentro da sala de exames se deteriorou rapidamente.
De acordo com o relato apresentado à Polícia Civil do Distrito Federal, o senador passou a gritar com integrantes da equipe médica, fez ofensas verbais e, durante a discussão, teria atingido o rosto da técnica com um tapa. A profissional afirma que ficou em choque após o episódio e que o ambiente se tornou caótico, exigindo intervenção de outros funcionários da unidade hospitalar.
Relatos publicados pelo Metrópoles apontam que testemunhas confirmaram momentos de tensão durante o procedimento. Uma profissional que acompanhava o exame afirmou que o senador bolsonarista ficou extremamente alterado depois da intercorrência médica e elevou o tom contra a equipe. O Correio Braziliense também informou que funcionários do hospital relataram forte tumulto após o problema no procedimento.
Defesa fala em erro médico e reação a “dor extrema”
A defesa de Magno Malta nega que tenha ocorrido agressão física. Segundo os advogados do parlamentar, ele sofreu uma “grave intercorrência médica” causada por falha técnica na aplicação do contraste e reagiu em meio a dores intensas e risco clínico.
Em nota divulgada à imprensa, a defesa afirma que o extravasamento do líquido provocou trombose, hematoma expressivo e necessidade de acompanhamento médico posterior. Os advogados sustentam que o senador foi submetido a um procedimento inadequado e alegam que a acusação surgiu após questionamentos feitos por Malta sobre a condução do exame.
Após a repercussão do caso, Magno Malta publicou vídeos nas redes sociais negando ter agredido a profissional e acusando adversários de promoverem uma campanha de “fake news” contra ele. Em uma das gravações, aparece acompanhado de um médico do DF Star que reconhece a complicação durante o exame e pede desculpas pelo ocorrido.
Ainda assim, o episódio ganhou novos contornos nesta semana após o UOL revelar que a técnica pediu afastamento temporário do hospital. Pessoas próximas afirmaram que ela passou a enfrentar forte desgaste emocional depois da exposição pública do caso e da repercussão política envolvendo o nome do senador.
Conselho de Enfermagem reage e cobra investigação
O caso provocou reação do Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF), que divulgou nota pública condenando episódios de violência contra profissionais da saúde. A entidade afirmou que agressões verbais e físicas contra trabalhadores da enfermagem têm se tornado recorrentes e destacou que nenhuma condição clínica ou posição de poder justifica ataques a profissionais durante atendimento hospitalar.
A repercussão também mobilizou profissionais da área médica e de enfermagem nas redes sociais, onde o episódio passou a ser discutido como exemplo da escalada de violência contra trabalhadores da saúde. Entidades da categoria passaram a cobrar investigação rigorosa e eventual responsabilização caso a agressão seja confirmada.
Nos bastidores do Congresso Nacional, aliados de Magno Malta tentam tratar o episódio como consequência de um erro médico e de uma reação emocional diante da dor causada pela complicação no exame. Já adversários afirmam que o caso amplia o desgaste do senador e reforça críticas sobre comportamento agressivo e confrontos recorrentes associados ao parlamentar.
Polícia analisa imagens e depoimentos
A Polícia Civil do Distrito Federal abriu investigação para apurar a dinâmica do caso e analisa depoimentos, documentos médicos e possíveis imagens internas do hospital. Até o momento, não houve conclusão oficial sobre eventual responsabilização criminal.
O Hospital DF Star mantém postura discreta sobre o episódio e não divulgou detalhes do procedimento, alegando sigilo médico e preservação das partes envolvidas. Internamente, porém, o caso gerou forte repercussão entre funcionários da unidade e ampliou o debate sobre segurança e proteção de profissionais da saúde diante de situações de violência durante atendimentos médicos.