Não parece mera coincidência. Tem cara de padrão: primeiro Daniel Vorcaro e o Banco Master; agora, Edir Macedo e o Digimais. A relação do governador Tarcísio de Freitas com banqueiros fraudadores não pode ser ignorada nem minimizada. A pergunta em destaque, nos dois casos, é uma só: por que o governador de São Paulo decidiu socorrer dois bancos quando ambos já tinham péssima reputação na própria Faria Lima?
Sobre o Digimais, de Edir Macedo. Tarcísio, o governador de bom coração, deu aval para o Digimais fazer empréstimo consignado para a Polícia Militar do estado, com desconto em folha de pagamento, quando o banco já enfrentava uma profunda crise financeira. Isso aconteceu em agosto do ano passado, época em que o BC já emitia sinais de alerta sobre a falta de solidez do banco de Edir Macedo, o banco do pau oco. Com o gesto solidário de Tarcísio, o capenga Digimais teria o fôlego de fazer novos empréstimos (dinheiro com retorno garantido pelo salário pago pelo próprio Tarcísio) para cerca de 80 mil policiais. Uma clientela e tanto.
Toda a generosidade do governador talvez tenha explicação no fato de ele ser do Republicanos, partido idealizado por Edir Macedo e sua Igreja Universal. A legenda, hoje, é presidida pelo deputado Marcos Pereira, bispo licenciado da mesma Universal. Cabe investigar, talvez não haja ilegalidade, mas pega mal.
A questão é que Edir Macedo, bispo e fraudador, não é o único banqueiro querido por Tarcísio. A eclosão do escândalo do Master escancarou as relações suspeitas entre chefe do Palácio dos Bandeirantes, Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel (cunhado do banqueiro e conhecido como o homem da mala) e uma lista de nomes ligados ao Master e à complexa estrutura financeira montada para a privatização da EMAE e da Sabesp.
Mas por que o governador Tarcísio teria se empenhado tanto na privatização da EMAE e da Sabesp, que acabariam as mesmas mãos amigas? A oposição levanta a suspeita de que toda a simpatia tenha relação direta com a doação de 2 milhões de reais feita pelo cunhado de Vorcaro à campanha de Tarcísio em 2022. Sem a emoção da política, cabe ao Ministério Público e à Polícia Federal investigarem. Fumaça tem. Falta ver se o fogo ainda tem chamas. O Digimais e Edir Macedo parecem ser mais lenha na fogueira que pode chamuscar o governador.
Em época de Copa do Mundo, a Seleção do Tarcísio e dos banqueiros fraudadores já está no álbum do Banco Central e da Polícia Federal. Álbum de ficha corrida e não de figurinhas, vale o registro.