Quem é o jovem brasileiro que pode fazer mais barulho que João Fonseca no tênis mundial?

Depois de mais de duas décadas sem grandes nomes no tênis masculino, o Brasil caminha para ter dois talentos competindo entre os melhores do mundo. As duas semanas no saibro francês de Roland Garros consolidou João Fonseca como um dos grandes nomes da atualidade, especialmente depois de vencer Novak Djokovic, por três sets a dois, em um jogo épico na quadra central de Paris e chegar à sua primeira quartas-de-final de Grand Slam com apenas 19 anos.

Mas Fonseca não foi o único brasileiro a brilhar em Paris. No sábado, o goiano Guto Miguel fez história ao levantar o troféu de campeão no torneio juvenil de Roland Garros aos 17 anos e três meses. De quebra, Guto se consolidou como o melhor do mundo entre os juvenis. Com a vitória em Paris, o jovem tenista iguala o feito de João Fonseca, que venceu o US Open juvenil, em 2023, com a mesma idade de Guto, e encerrou o ano como líder do ranking da ITF.

Embora a diferença de idade entre eles seja de apenas dois anos e poucos meses, Guto Miguel tem pela frente uma longa trajetória até chegar ao patamar que João Fonseca vive no tênis hoje. Desde o US Open de 2023, João seguiu dominando seus adversários do circuito juvenil, foi campeão no Next Gen ATP Finals de 2024 e se tornou um dos nomes mais badalados e aguardados para o circuito profissional. Nascia, assim, o Fonsequismo, que foi capaz de fazer organizadores de torneio a mexer na programação dos jogos só para o brasileiro jogar diante de mais torcedores que queriam ver, de perto, o novo fenômeno.  

Hoje, como 25 do mundo da ATP, Fonseca já é o melhor atleta sul-americano no ranking mundial e tem boas chances de se aproximar do top 10 até o fim da temporada. A diferença é que ele não é mais a única grande promessa que chama a atenção da imprensa internacional. O norte-americano Leonard Tien, o mesmo que ele venceu na final juvenil em Nova York e, depois, no Next Gen de 2024, vem em ascensão desde o ano passado e já é atleta top 20. Outro nome que divide os holofotes com Fonseca é o espanhol Rafael Jodar, de 19 anos, que também chegou às quartas-de-final em Roland Garros e está duas posições à frente do brasileiro na lista da ATP.

Guto Miguel tem toda condição de seguir os passos de Fonseca, Tien e Jodar. Especialistas apontam que ele tem mais variedade de golpes que João Fonseca, conhecido pela potência de seus forehands e saques. O tempo vai dizer e, certamente, os próximos dois anos serão decisivos para a consolidação de Guto entre os melhores do mundo. Não ter sobre ele as enormes expectativas que sempre pesaram sobre João Fonseca ajuda, e muito, a jogar com menos pressão nas costas. O tenista goiano tem potencial e, até aqui, vem mostrando maturidade e consistência que já o credencia para ingressar no circuito profissional.

O tênis brasileiro tem, enfim, dois nomes que podem jogar, ao mesmo tempo, entre os melhores do mundo – e o mais perto que chegamos disso foi na época de Guga e Meligeni. João Fonseca sai na frente, mas Guto Miguel tem chances de surpreender e cair nas graças da torcida muito em breve. E, quem sabe, veremos dois brasileiros duelando por títulos nos principais torneios do circuito. E que vença o melhor. Porque a vitória do tênis brasileiro já é garantida.

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