Viagem aos Estados Unidos não limpa a barra de Tariflávio, o patriota que veste azul, vermelho e branco

Costumam dizer que todo traidor da pátria é um mentiroso contumaz. Isso ajuda a atender as conturbadas viagens de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e suas narrativas tortuosas e erráticas. Até agora, o senador e pré-candidato à Presidência vem colecionando tiros no pé, mas não se enganem: o conjunto da obra tem efeitos terríveis para o Brasil e nossa soberania. É o futuro que está em jogo. A começar pelas eleições de outubro e o risco real e concreto de interferência da Casa Branca, direta ou indiretamente, no resultado das urnas.

Flávio já foi pego na mentira algumas vezes. Primeiro, a clássica rachadinha com Queirós. Disse que não existia e as câmeras mostram quem sim. Depois, a sua relação de irmandade com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Disse que mal conhecia, mas a máscara caiu com o áudio tratando o banqueiro como irmão e pedindo 130 milhões de reais de ajuda para o filme do pai. Agora, Flávio Bolsonaro volta a mentir. Diz que é contra o tarifaço do Trump e que defende o PIX. Mais uma mentira. Foi ele, indo até Washington, que fomentou o tarifaço e o ataque ao PIX. Pegou mal e, agora, tenta voltar atrás, pedindo a Trump para “pendurar” o ataque à soberania brasileira até depois das eleições. Sua biografia como Pinóquio é irretocável. Ainda assim, uma coisa é certa: a nova viagem aos Estados Unidos não limpa a barra e a imagem de Tariflávio. Alguém duvida que o PIX deixará de existir se o filho 01 virar presidente no ano que vem?

Mas o perigo é real. Trump não tem freio, sabemos. Até na FIFA ele interveio. E derrubar um governo de esquerda no Brasil é o que ele deseja para consolidar sua influência na América Latina (em outras palavras, cercar seu quintal latino) como trunfo na queda-de-braço global com os chineses. Este é o cenário que torna Trump uma ameaça real para a democracia e a soberania brasileira. E Flávio Bolsonaro se encaixa como a marionete perfeita para os interesses norte-americanos. Simplesmente porque está disposto a dizer amém – e já deu vários sinais disso – a qualquer desejo que venha de Washington.

A Copa do Mundo se encaminha para o fim, mas o jogo sujo de Flávio Bolsonaro e de Donald Trump está apenas começando. O filho 01 conspira à luz do dia contra o próprio país. Isso tem nome: é traidor da pátria. Mas ele parece não temer as consequências. Se tudo der errado, faz as malas e vai encontrar o irmão nos Estados Unidos.

Flávio aposta em Trump para intervir no Brasil e tumultuar nossa democracia e o resultado das eleições. Prometeu à Casa Branca acesso livre a um eventual governo de transição. Marco Rubio mandou mensagem agradecendo. Prometeu ainda atuar para cassar ministros do Supremo Tribunal Federal que estão peitando as big techs no Brasil. Dois temas que fazem brilhar os olhos de Rubio e Trump: ascendência direta num futuro governo, sempre de olho nas terras raras e no nosso petróleo, e carta branca para que as big techs, que são norte-americanas, sigam fazendo o que querem ao arrepio de qualquer regulação do Estado.

Faltando menos de três meses para as eleições, o Brasil está sob ataque. E quem comanda tudo isso é uma pessoa que se diz patriota. E isso tá pegando mal até mesmo entre os bolsonaristas. Flávio Bolsonaro é o patriota que se veste de azul, vermelho e branco e bate continência para o 4 de Julho.

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